Capitulo 85 – A CRISE DA NOSSA MPB
A música popular brasileira está em crise. Pelo menos aquela que se rotulou, na década de setenta, como MPB. A que se inscreveu na História como transgressora e libertária nos tempos da ditadura. Levando essa bandeira na era dos festivais no circuito Sampa-Rio.
Aliás, essa música, em 2007 comemorou 40 anos dos primeiros festivais, e este ano: 50 de Bossa-Nova.
Os compositores como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Gonzaguinha, Paulo César Pinheiro, Tom Jobim e Milton Nascimento. Só para ficarmos com sete nomes expressivos dessa época. Apenas o último, o mineiro-carioca de mil tons, conseguiu se fixar, atualizando-se, no gosto da juventude de hoje.
Se não acredita, meu querido leitor, então faça o teste. Pergunte a jovens na faixa de dezesseis aos vinte e cinco anos quem é Edu Lobo, Marcos Valle, Taiguara, Geraldo Vandré? Agora, pasme! Sequer o ícone mais querido Chico Buarque é conhecido.
A culpa é de quem? Das rádios que não tocam mais esses compositores? Não creio. Deve haver outro fator endógeno no meio do caminho como a pedra do poeta itabirano.
O brasileiro padece da enfermidade inquieta do nihilismo. Tudo acaba em nada. Ás vezes dá um tempo como chuva de verão, só para “deixa ficar, que eu quero ver aonde vai dar esse chove não molha”.
Como se joga fora, descartando-a como passadista, a BOSSA NOVA? O movimento musical mais expressivo da música popular da nossa história. A música que levou o Brasil mundo afora até hoje.
Os que viajam para América do Norte USA, Canadá e México sabem disso. Se for para a Europa aí é que ela continua tocando. Marcos Valle está muito bem obrigado em Londres.
A Tropicália dos baianos ainda sobrevive porque Gil e Caetano sempre tiveram proximidade maior junto aos jovens músicos, aos anseios dos ouvidos mais roqueiros e pops. Hoje você pode escutar hits dos dois até hoje sendo tocados em releitura por bandas de rock.
A minha tese é a de que os grandes compositores da era dos festivais se acomodaram. O público brasileiro, exigente, também descartou essa turma talentosa. Colocando-os como os “órfãos da MPB”. Não há mais milicos atravancando as nossas liberdades para um clima de música de protesto. Por isso mesmo a fórmula dos velhos festivais se exauriu. Muitos, da minha geração sessentinha, se exilaram, também órfãos de Marx, migrando para o esotérico. Na música para a NEW AGE, na literatura para o recontar sufi-bíblico-alcorânico de Paulo Coelho. Muito melhor como parceiro de Raulzito, sem dúvida.
E aonde buscar uma saída? Creio que o exemplo mais expressivo, está na proposta de Chico Science e Mestre Ambrósio em Pernambuco, por exemplo. Há outros indícios de mudança nos recantos mais escondidos do nosso Brasilzão..
Não podemos nos dar o luxo de jogar no lixo boas propostas. Pela nossa riqueza rítmica e cultural. Essa diversidade que encanta estrangeiros ao ponto de aqui virem buscar as nossas batidas e transformá-las, pela beleza e pelo marketing, num batuque universal.
Fica a pergunta em tom de provocação. Espicaçar para traçar uma reta. Antes que acusem o nosso espaço sistêmico pela culpa da pirataria e pela programação das rádios. A Internet é mais embaixo.
A música popular brasileira está em crise. Pelo menos aquela que se rotulou, na década de setenta, como MPB. A que se inscreveu na História como transgressora e libertária nos tempos da ditadura. Levando essa bandeira na era dos festivais no circuito Sampa-Rio.
Aliás, essa música, em 2007 comemorou 40 anos dos primeiros festivais, e este ano: 50 de Bossa-Nova.
Os compositores como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Gonzaguinha, Paulo César Pinheiro, Tom Jobim e Milton Nascimento. Só para ficarmos com sete nomes expressivos dessa época. Apenas o último, o mineiro-carioca de mil tons, conseguiu se fixar, atualizando-se, no gosto da juventude de hoje.
Se não acredita, meu querido leitor, então faça o teste. Pergunte a jovens na faixa de dezesseis aos vinte e cinco anos quem é Edu Lobo, Marcos Valle, Taiguara, Geraldo Vandré? Agora, pasme! Sequer o ícone mais querido Chico Buarque é conhecido.
A culpa é de quem? Das rádios que não tocam mais esses compositores? Não creio. Deve haver outro fator endógeno no meio do caminho como a pedra do poeta itabirano.
O brasileiro padece da enfermidade inquieta do nihilismo. Tudo acaba em nada. Ás vezes dá um tempo como chuva de verão, só para “deixa ficar, que eu quero ver aonde vai dar esse chove não molha”.
Como se joga fora, descartando-a como passadista, a BOSSA NOVA? O movimento musical mais expressivo da música popular da nossa história. A música que levou o Brasil mundo afora até hoje.
Os que viajam para América do Norte USA, Canadá e México sabem disso. Se for para a Europa aí é que ela continua tocando. Marcos Valle está muito bem obrigado em Londres.
A Tropicália dos baianos ainda sobrevive porque Gil e Caetano sempre tiveram proximidade maior junto aos jovens músicos, aos anseios dos ouvidos mais roqueiros e pops. Hoje você pode escutar hits dos dois até hoje sendo tocados em releitura por bandas de rock.
A minha tese é a de que os grandes compositores da era dos festivais se acomodaram. O público brasileiro, exigente, também descartou essa turma talentosa. Colocando-os como os “órfãos da MPB”. Não há mais milicos atravancando as nossas liberdades para um clima de música de protesto. Por isso mesmo a fórmula dos velhos festivais se exauriu. Muitos, da minha geração sessentinha, se exilaram, também órfãos de Marx, migrando para o esotérico. Na música para a NEW AGE, na literatura para o recontar sufi-bíblico-alcorânico de Paulo Coelho. Muito melhor como parceiro de Raulzito, sem dúvida.
E aonde buscar uma saída? Creio que o exemplo mais expressivo, está na proposta de Chico Science e Mestre Ambrósio em Pernambuco, por exemplo. Há outros indícios de mudança nos recantos mais escondidos do nosso Brasilzão..
Não podemos nos dar o luxo de jogar no lixo boas propostas. Pela nossa riqueza rítmica e cultural. Essa diversidade que encanta estrangeiros ao ponto de aqui virem buscar as nossas batidas e transformá-las, pela beleza e pelo marketing, num batuque universal.
Fica a pergunta em tom de provocação. Espicaçar para traçar uma reta. Antes que acusem o nosso espaço sistêmico pela culpa da pirataria e pela programação das rádios. A Internet é mais embaixo.
Justificaram seu povo, sua época e as aflições que nela existiam. Tudo isso sem advento das tecnologias e a extensão que a informação tem nos dias atuais. Isso era 1964. Hoje, 52 anos depois, temos uma velocidade na informação que transpassa o pensar e sua dimensão é imensurável. As situações políticas e sociais não são as mesmas e, consequentemente, com a liberdade política e de expressão, uma paleta de opiniões e pensamentos é tão próxima da existência plena que chega a ser tateável. Com isso, poderíamos dizer que aquela situação de 1964 estaria certamente extinta, ou seja, não haveria espaço jamais para que uma ditadura pudesse impor suas mãos de “chumbo” sobre a opinião alheia e, por conseguinte, influenciar no discurso de quem quer que seja. Pois é, não é bem assim.
Vivemos em nosso país um tremendo estado político-social de preocupação quanto aos inúmeros direitos políticos conquistados a duras lutas e, muitas vezes, banhados a sangue de inocentes. Não quero entrar diretamente no nicho político da questão, até porque esse é bem amplo e complexo. Quero falar do comparativo dos cenários de 1964 e 2016, quanto à representatividade da música e a opinião político-social dos que hoje são os “grandes nomes da música brasileira” e, portanto, fazer um parâmetro do acesso de informações e sua abrangência. Quero falar do artista como uma representação de sua época e seu público.
O ano é 2019 e a visibilidade, seja em qual campo for, é infinitamente maior. Os “15 minutos de fama” nunca se justificaram tanto quanto nos dias atuais. Diariamente surgem inúmeros novos “artistas” e a amplitude do alcance de sua voz (e opinião), é estrondoso. O artista, por si só, é um formador de opiniões, um direcionador social. Sendo assim, entende-se que no cenário político atual muitos dos maiores nomes da música brasileira no momento estariam, com sua popularidade, expressando sua opinião quanto aos atuais acontecimentos, certo?! Não é bem assim. O que existe dessa galerinha é apenas um silêncio quase que ensurdecedor.
É triste enxergar que uma ferramenta tão importante e agregadora como a música brasileira está entregue nas mãos de artistas que tem uma visibilidade enorme, mas que, na contramão, nenhum desses faz uso da imagem e alcance que tem para lutar por causas sociais e políticas necessárias. Preferem o “muro” como morada, para não decepcionar nenhum dos lados e não perder parcelas de seu “fiel” público. O campo de batalha não os pertence. Na verdade, não os merece. Não se pede deles uma opinião formada sobre determinado “lado”, mas que expressem de alguma forma o conhecimento do momento, seu povo e o cenário onde atuam. Pede-se que opinem através de suas músicas.
É triste enxergar que uma ferramenta tão importante e agregadora como a música brasileira está entregue nas mãos de artistas que tem uma visibilidade enorme, mas que, na contramão, nenhum desses faz uso da imagem e alcance que tem para lutar por causas sociais e políticas necessárias. Preferem o “muro” como morada, para não decepcionar nenhum dos lados e não perder parcelas de seu “fiel” público. O campo de batalha não os pertence. Na verdade, não os merece. Não se pede deles uma opinião formada sobre determinado “lado”, mas que expressem de alguma forma o conhecimento do momento, seu povo e o cenário onde atuam. Pede-se que opinem através de suas músicas.
Não é apenas saudosismo, eu juro, mas é inevitável não desejar a presença tão ávida de um Chico, um Caetano, uma Elis, um Gil. E são esses artistas, no seio de um turbilhão de acontecimentos, que estão vindo a público expor suas ideologias e opiniões diversas. São artistas que convergem e comungam de veias sociais e que, diante da conjuntura atual, não se calam e expõem aquilo que pensam (uns mais que os outros). A sociedade precisa se sentir representada na música, pois esse também é um dos inúmeros papéis que esse importante instrumento oferece (não apenas o entretenimento, mas, e principalmente, o cunho político social). Mas tá difícil, viu!
Essa é a hora. A hora de fazer a revolução também através da música, portanto, play no Spotify e vamos à luta, amigos e amigas…