quarta-feira, 27 de julho de 2016

MOTIVOS

Capítulo 11 -  DEL VECCHIO

A semana transcorria agora com uma grande diferença, as minhas horas vagas que eram preenchidas com leitura, a partir da chegada do violão foram substituídas, mas só durante o dia, a madrugada ainda era reservada à leitura. Meu novo amigo não apareceu todos os dias, contudo, quando aparecia acrescentava mais uma lição e a gente, mais ele do que eu, aprimorava os arranjos das músicas feitas. Acabou que o sábado da apresentação não rolou. Fui conhecendo o grupo separadamente e o grupo não se restringia apenas aos da banda, existia os amigos dos amigos, assim fui aos poucos me enturmando.
A casa se encontrava no mesmo bairro que o colégio. Era próxima, para ser mais exato, o que para ele ir a pé era comum. Já para mim, inobstante ter que ir de ônibus, não ficava tão distante, apenas uns vinte minutos, talvez menos, dependia do transito. Com essas duas possibilidades, além de diariamente, passamos a nos ver nos fins de semana, ora em sua casa, ora em outro bairro residido por alguém do grupo. Não tinha hora certa, podia ser a tarde, à noite, de madrugada, o que era comum mesmo era o violão, sempre presente, as vezes mais de um, mas o do meu amigo era certo. Praticamente todas as canções que cantávamos eram puxadas sempre pelo seu violão. Passávamos horas cantando MPB. Eu, apesar de conhecer algumas, falo isso, pois dos quinze aos dezoito ou dezenove fiquei curtindo muito rock progressivo e, só então comecei a despertar os meus sentidos com maior intensidade aos compositores nacionais, isso se deve em muito aos festivais de músicas da Record e posteriormente Globo, mas principalmente os da Record. Diante desse consumo constante e de uma melhoria no manuseio do violão, fui compondo músicas sofrendo várias influências, mas, de todas, a que mais me tocou no fundo do coração foi o que aqui se chamava de Rock Rural, o que seria uma espécie de descendente do Country Americano, evidentemente com adaptações tupiniquins. Aproveito para contar, por enquanto, dois causos interessantes a esse respeito: Sabe aquelas pessoas que cruzam o seu caminho por um período e, depois de algum tempo, as vezes curto, você nunca mais verá, pois foi assim. Conheci um cara que tocava uma viola a la Bob Dylan com direito a Harmônica ou Gaita, o que você quiser, naquela armação por cima do ombro e tudo, de deixar o queixo cair. Sabe aqueles ripongas da época, que não pertenciam ao sistema, ele tocava muito bem Bob Dylan e pintava uns quadros maneiros, que eram sua fonte de renda e expunha-os na rua no centro da cidade e foi justamente indo algumas vezes à sua casa e vê-lo pintar e tocar tão bem àquele violão que eu não conhecia, que descobrir a sonoridade que mudaria o meu batimento cardíaco, foi amor à primeira vista, eu tinha que possuir um violão folk.
Eu sabia que a rua da carioca era o lugar dos violões na cidade, então com a imagem e o nome que aprendi com ele, fui um dia até a rua e lá comecei a pesquisa por modelos e preços. A princípio fiquei fascinado com a variedade, mas os preços... eu tinha algum guardado, já com a intensão de comprar um para mim e devolver o emprestado. Já tinha entrado em algumas lojas, mas foi quando entrei na loja Guitarra de Prata e, me vendo, aproximou-se um vendedor para aquela pergunta de praxe: “posso lhe ajudar em alguma coisa” – sim, disse eu. “Poderia me mostrar alguns modelos de violão Folk?” – Fez um gesto para que fossemos mais para o fundo da loja e então começou o desfile, era cada um mais bonito que o outro, foi quando perguntei pelo preço de cada, que vi que teria que guardar mais um pouco de grana, mas antes de desistir, fiz uma última pergunta e que seria a minha salvação. “ O senhor não teria algum violão mais barato? Dependendo do valor eu vou pagar à vista! ”   Foi quando ele trouxe um violão com o bojo grande e disse: “ Tem esse aqui, não sei se você vai gostar, é um Folk da marca Del Vecchio.” Peguei, ele me ajudou a afinar e, quando toquei, o som me envolveu plenamente e senti que era com aquele que eu iria voar. O preço?  Vestiu como uma luva ou melhor, cabia no meu bolso. Pedi que guardasse e não vendesse para ninguém que eu já voltaria com o dinheiro. Joguei dez no veado e fui!   
Já em casa com o violão dos sonhos, virado pura realidade, voei. O voo de Ícaro, mais que o dele. O voo dos pássaros, mais que os deles. O meu voo particular, só meu. O conjugado, sumiu. O bairro, sumiu. A cidade, sumiu. O mundo, sumiu. O Del Vecchio era o meu tapete mágico. Me desloquei para um universo paralelo. Era eu e o Del Vecchio. Somente. A mente só. Não dá para mensurar o tempo, quando se está no mundo encantado. Quando acabou, o momento, não o encantamento, havia resultado numa composição, mostrando que estava tudo nos eixos: “Vai Tudo Bem
No dia seguinte, na hora do almoço, o meu amigo não apareceu, e então, após, resolvi ir até o centro encontrar o Bob Dylan, para lhe contar a novidade. Na esquina já vinha chegando, foi o tempo certo para uma breve corrida e pronto já estava dentro do ônibus, que me deixaria na esquina da Rua do México, que me permitiria chegar em poucos minutos ao cruzamento com a Araújo Porto Alegre, onde o riponga expunha os seus quadros. O efeito Del Vecchio estava latente e, parece que no meio do caminho resolveu dar o ar da graça, pois de repente caiu como um raio e, veio direto em mim, ou melhor, dentro da minha mente, uma melodia, e ela não estava sozinha, vinha acompanhada de letra. Mentalmente como sempre fazia, fui cantando, repetindo, repetindo, quando vi já estava na esquina. Saltei e corri feito um louco. Para pegar a condução de volta para casa, eu tinha que passar pelo meu amigo, mas, foi algo assim cinematográfico. Mal cheguei, já fui me despedindo, tentando explicar o inexplicável, uma palavra não encaixava muito bem na outra, mas depois fui saber que ele entendeu. Ao chegar em casa, desencapei o Del Vecchio, fechei os olhos e me concentrei. Foi um orgasmo. Quando acabei estava esgotado, porém satisfeito. Regozijando o resultado. Contudo, havia uma interrogação. Que guardo, pois, não consigo explicar. Como surgiu na minha cabeça essa música toda pronta? Penso que nem o deus das artes e música Apolo, saberá me responder. Para aqueles que conhecem, a música é: “MOTIVOS

As duas me botaram na estrada, mas “MOTIVOS”, essa... bem, até quarta-feira!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Capítulo 10 – A PROPOSTA

Para minha surpresa, apesar da grande dificuldade em procurar as palavras certas, quando finalmente consegui soltar o pedido de empréstimo do violão, a atitude foi das mais amistosas e de compreensão, concedendo a mim, sem restrições e tempo de devolução, a oportunidade de praticar ou melhor, continuar as lições que já havia recebido. Como eu havia dito, nós tínhamos agora uma boa amizade, mas sei lá, pelo menos para mim, pedir emprestado alguma coisa que pertença a outra pessoa, não me deixa confortável, além da responsabilidade imensa no cuidado, existe também o desconforto que a pessoa que pede causa a outra; nesse momento quem pede não tem o direito de se ofender se houver recusa, tem que procurar entender, deixar de ser pidão e se gosta tanto do objeto: comprar um para si.

Violão emprestado, dentro da capa, com muito cuidado encostado ao corpo, viajando comigo no ônibus de volta para casa. Se não fosse o adiantar da hora, quando cheguei, eu bem que iria desencapa-lo e tocar, mas como morávamos num conjugado apertado me contentei em esperar até o dia seguinte. Pensa que é fácil assim? Porra nenhuma. Por mais que você seja já um burro véio, tanto quanto um novo, a espera tem o mesmo sabor, o tempo tem o mesmo espaçamento, ou seja, se ficar acordado, aquele gostinho amargo enjoando, aquele pensamento latejando, tentando arranjar um jeito, só vai aumentar, então o melhor a fazer é dormir, talvez demore a pegar no sono, mas, quando acontecer passará em um segundo. Quando abri os olhos, tive a impressão de ter sonhado com algo... mas, como não lembrava ficou só a cisma. Levantei-me e fiz e que normalmente fazia quando acabava de acordar, só um pouquinho mais rápido. Tendo terminado, não deu outra, voei na direção do violão. Ainda assim, existia mais um obstáculo, pelo menos naquele momento. Como era um domingo, e eu morava num conjugado, minha mãe que acordou antes de mim, só esperava que eu acordasse, pois não queria incomodar o meu sono, para poder ligar a televisão, então quando peguei no violão percebi que não ia rolar, pois o ambiente estava tomado pelo som do aparelho. Então o que fazer? Partiu banheiro! Foi assim o da inteiro, com algumas interrupções, fui até cansar. No dia seguinte, já na segunda-feira, o meu amigo do colégio chegou na hora combinada. Contei-lhe rapidamente como fora difícil pedir o instrumento emprestado, porém missão cumprida. Examinou o violão, se não me faia a memória era um Di Giorgio nº 36, olhou para mim, estendeu a mão, me parabenizou, e sentenciou: “esse é do bom”, eu ainda não entendia nada, mas fiquei feliz. Uma autonomia que só o tempo e muita prática vai nos dar, a não ser que você nasça com um belo dom, é saber exatamente o tom e a afinação das cordas sem precisar de muita ajuda. Claro que você pode e deve comprar um diapasão, contudo só ele não é suficiente, ele ajuda em muito a quem não tem o sentido apurado, porém, a prática apura os sentidos musicais, e claro, aquele iluminado, com ouvido absoluto, acontece mais rápido. O tempo era curto, curtíssimo, mas o suficiente para depois do violão afinado, ouvir o resto do arranjo daquela música apresentada no pátio do colégio, analisar até aonde eu tinha conhecimento, acrescentar novas lições, recomendar que praticasse, ouvir uma nova e finalmente fazer a proposta: Se no próximo final de semana, para ser mais exato no sábado, se eu poderia ir até o endereço que iria me dar, para ser apresentado aos seus amigos, que juntos estavam ensaiando com a intenção de formar uma banda e não tinham um vocalista, portanto pensou se eu não gostaria de ocupar essa vaga. A princípio aceitei entusiasmado e abismado, contudo, ficou bem claro que dependia da aprovação dos demais e, finalizou dizendo que durante a semana nós ensaiaríamos uma música para a apresentação, que poderia ser até uma das minhas. E assim durante a semana...

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Capítulo 9 - QUE SITUAÇÃO!


No dia seguinte, era uma sexta-feira e o calendário noturno de aulas mais frouxo, permitia que saíssemos mais cedo. Quando cheguei não o vi. Fui para a primeira aula divido entre atenção e pensamentos. No término da segunda aula, o que seria a hora do intervalo, na sexta-feira já era hora de ir embora, então no corredor procurei-o no meio da confusão de alunos se mandando. Apesar de ser apenas um largo corredor, não era tão fácil, quando você praticamente tem que procurar diferenciando cabeças e cabelos, para minha sorte este detalhe contava a favor, pois ele tinha um cabelo diferente e como parecia não haver igual, quando avistei não deu outra, era ele. Naquela época, quase todo mundo tinha cabelo grande, eu não era diferente, mas cabelo em caracol grande, que eu conhecia, só Caetano e ele. Como não era o Caetano no corredor, sem lenço e nem documento, então.... Nos cumprimentamos, de cara percebi que não havia violão, o que me deixou decepcionado. Gesticulou para que fossemos caminhando para fora da escola. Do lado de fora, virou-se e pediu desculpas por não poder ficar mais tempo, pois tinha um compromisso, contudo, ainda tinha curiosidade em conhecer as minhas músicas. Sensatamente admitiu que ali na escola seria muito difícil poder ouvir com calma, que o mais adequado seria nos encontrarmos ou na minha ou na sua casa. Ao trocarmos endereços, surgiu uma boa oportunidade. Ele trabalhava bem perto do meu endereço e seria fácil visitar-me na hora do almoço. A princípio foi uma boa ideia; eu tinha facilidade de horário, e ele uma hora e meia de almoço. Então me perguntou se eu tinha violão em casa, foi aí que surgiu o primeiro obstáculo. Contei rapidamente a estória da namorada e do violão. Por outro lado, seguiu-se a narrativa da dificuldade de levar o instrumento para o trabalho. Ficamos alguns minutos pensando numa alternativa, já que ele tinha que ir embora, estava difícil, mas veio, mesmo sendo um sacrifício para mim. A ideia era que eu fosse até a minha ex no final de semana e apela-se para os bons momentos e a amizade que ficou, e pedisse emprestado o violão, que estava fazendo falta para praticar, e que assim que comprasse o meu devolveria. Era uma tarefa constrangedora, tinha que ter cara de pau ou de pinho, como preferir, mas era uma solução e possível. Solução mais ou menos resolvida, combinamos para segunda-feira, mas, dependia do meu sucesso. Antes de partir, perguntei o que era aquela coisa de proposta que faria. Sim, era intenção fazê-la, todavia, não dependia somente dele, tinha que consultar outras pessoas, coisa que faria no fim de semana e na segunda-feira falaria sobre o assunto. Depois dessa, como estava em cima da hora, despediu-se desejando boa sorte na empreitada e confirmando. Eu, voltei para casa só pensando em como eu ia fazer para conseguir o violão emprestado. Se não a encontrasse junto com a turma, aí teria que ir até sua casa. Das duas, pensei eu, a segunda era a menos pior, pois se levasse um toco, que fosse pelo menos em particular. Como nos dávamos super bem, a única objeção possível que passava na minha cabecinha era: não poder, pois precisava dele. Eu precisava comprar um violão urgentemente. Nessas horas a gente lamenta ser jovem e pobre, mais pobre do que jovem, entretanto, são pequenas angústias que logo passam e tocamos em frente...  

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Capítulo 8 - COINCIDÊNCIA INEXPLICÁVEL



Enquanto tudo isso acontecia, eu não podia deixar de lado os meus estudos. Trabalhava durante o dia, ainda bem que eu fazia o meu próprio horário, estudava a noite e emendava quando chegava em casa com um livro na madrugada, claro que para isso eu ajustava o meu trabalho para a parte da tarde do dia, quando não dava eu abria mão da leitura. Com a prática do violão adiada por falta do mesmo, algumas melodias iam explodindo na minha cabeça sem que eu soubesse nem sequer os acordes, e também não tinha como. Aí voltamos ao assunto já mencionado anteriormente, as coisas acontecem sem que você tenha a devida explicação, mas fica aquela interrogação, não na hora, as vezes anos depois, de que você estava no lugar certo, sendo apresentado a pessoa certa, com a finalidade de tudo se acertar. Foi justamente numa dispensa da última aula, pois o professor havia faltado, que eu ia me encaminhar para a saída, quando resolvi chegar até os fundos, já que estava com tempo, só para olhar o pátio da escola. Chegando percebi que havia dois alunos e um deles tocava um violão. Quando vi o instrumento e ouvi o som, não deu outra, me aproximei. A princípio o que não estava tocando até me cumprimentou com a cabeça, mas o que tocava e cantava estava em transe. Quando terminou a música, aí sim, se dispôs a me olhar e perguntou se eu tocava. O sujeito apesar de novo, sabia tocar muito bem, e eu fiquei ali na sua frente, pego de supetão, olhando-o; não com os olhos de uma rã, e sim com os olhos de um descobridor dos sete mares. Passado o susto da pergunta, eu respondi que não, e emendei se ele tirava no violão uma música se eu cantasse, ele respondeu que sim e pediu que eu mostrasse. Ajeitei o gogó e assim de prima mandei ver. O violão entrou quando eu começava a repetir a melodia desde o início. Os primeiros acordes apareceram depois que ele já tinha achado o tom da voz, e as notas dominantes, a partir daí os meus ouvidos e sentidos se encheram de alegria. Conforme íamos repetindo, ele tocava diferente e mais complicado, depois eu descobri que era um arranjo, mas não dificultava em nada para o canto, pelo contrário, ficava cada vez mais belo. Quando finalmente pareceu que ele havia ficado satisfeito com o resultado, pois não aplicou mais nenhuma mudança, fomos abruptamente interrompidos pelo chamado de um funcionário avisando que a escola ia fechar. É assim mesmo, quando estamos realizando algo em que o prazer rege as nossas ações, o tempo voa. Só deu tempo de um cumprimento rápido, com troca de nomes, um elogio quanto a música e a pergunta se eu tinha mais composições. Enquanto eu respondia que sim, ouvi que tínhamos de nos encontrar no dia seguinte para terminarmos àquela e que ele queria conhecer mais, além de uma proposta para uma outra coisa. Já era tarde, tomamos cada um o seu caminho de volta para casa. Dentro do ônibus, voltando para casa, fiquei encucado: O que ele queria dizer com proposta? 

domingo, 3 de julho de 2016

Capítulo 7 - MENTE ABERTA



O namoro acabou. O violão voltou para as mãos da dona. No trabalho fui demitido. Olhando assim pelo lado pessimista, parece que um furacão acabou de passar e levar tudo que eu tinha, que nada, se pensar bem eu não tinha nada; nada era meu de fato. Nunca fui dono da namorada, nunca fui dono do violão, nunca fui dono da empresa que eu trabalhava, mas uma coisa eu era dono: de mim. Sendo assim, era só seguir em frente. Dizem, eu não estou aqui afirmando que seja uma verdade, verdadeira, verídica, apenas... dizem, que quando você tem por hábito praticar gentileza, – o profeta já dizia – ter atitudes verdadeiras, sinceras, fazer o seu sem precisar prejudicar ninguém, estar disponível, contribuir sem pensar ou ter a intenção de algo em troca, então quando as coisas aparentemente viram contra você, tudo é momentâneo, passageiro, e o que é mais importante, significa que você evoluiu e agora pode receber uma graça, e de repente surge um novo horizonte, que é para onde  você começará a  caminhar. Caramba! De repente surgiu uma inspiração mística, e eu acabei fugindo um pouco do foco, mas voltemos a caminhada. Diante dessa mística explicação, declaro a vocês que logo adiante viria e eu viveria novas experiências, que seriam transformadoras. Passado o furacão, hora de catar as sobras e pensar o que fazer, entretanto, antes mesmo de eu concluir meus pensamentos, as coisas foram surgindo, que eu nem reagi, me deixei ir. Apareceu trabalho, e o trampo foi uma dádiva, não que me daria chances de carreira ou coisa semelhante. É que eu até então não tinha tido muito contato com literatura, e justamente naquele momento eu iria trabalhar com livros. Foi uma experiência maravilhosa, evolutiva, arrebatadora. Eu conheci o mundo através das escritas dos maiores e melhores escritores. Foi um crescimento cultural imensurável. Ali nas minhas mãos, devorados e capitados pelos meus olhos, que passava para a minha mente em doses diárias, fui presenteado com a maior riqueza que um jovem pode receber: cultura geral. Insaciável, eu devorava todas as vertentes, tudo era novidade, por isso foram muitas as vezes em que passei a madrugada toda lendo, e quando acabava, o sol dava o seu brilho anunciando a chegada do dia.