quarta-feira, 13 de julho de 2016

Capítulo 9 - QUE SITUAÇÃO!


No dia seguinte, era uma sexta-feira e o calendário noturno de aulas mais frouxo, permitia que saíssemos mais cedo. Quando cheguei não o vi. Fui para a primeira aula divido entre atenção e pensamentos. No término da segunda aula, o que seria a hora do intervalo, na sexta-feira já era hora de ir embora, então no corredor procurei-o no meio da confusão de alunos se mandando. Apesar de ser apenas um largo corredor, não era tão fácil, quando você praticamente tem que procurar diferenciando cabeças e cabelos, para minha sorte este detalhe contava a favor, pois ele tinha um cabelo diferente e como parecia não haver igual, quando avistei não deu outra, era ele. Naquela época, quase todo mundo tinha cabelo grande, eu não era diferente, mas cabelo em caracol grande, que eu conhecia, só Caetano e ele. Como não era o Caetano no corredor, sem lenço e nem documento, então.... Nos cumprimentamos, de cara percebi que não havia violão, o que me deixou decepcionado. Gesticulou para que fossemos caminhando para fora da escola. Do lado de fora, virou-se e pediu desculpas por não poder ficar mais tempo, pois tinha um compromisso, contudo, ainda tinha curiosidade em conhecer as minhas músicas. Sensatamente admitiu que ali na escola seria muito difícil poder ouvir com calma, que o mais adequado seria nos encontrarmos ou na minha ou na sua casa. Ao trocarmos endereços, surgiu uma boa oportunidade. Ele trabalhava bem perto do meu endereço e seria fácil visitar-me na hora do almoço. A princípio foi uma boa ideia; eu tinha facilidade de horário, e ele uma hora e meia de almoço. Então me perguntou se eu tinha violão em casa, foi aí que surgiu o primeiro obstáculo. Contei rapidamente a estória da namorada e do violão. Por outro lado, seguiu-se a narrativa da dificuldade de levar o instrumento para o trabalho. Ficamos alguns minutos pensando numa alternativa, já que ele tinha que ir embora, estava difícil, mas veio, mesmo sendo um sacrifício para mim. A ideia era que eu fosse até a minha ex no final de semana e apela-se para os bons momentos e a amizade que ficou, e pedisse emprestado o violão, que estava fazendo falta para praticar, e que assim que comprasse o meu devolveria. Era uma tarefa constrangedora, tinha que ter cara de pau ou de pinho, como preferir, mas era uma solução e possível. Solução mais ou menos resolvida, combinamos para segunda-feira, mas, dependia do meu sucesso. Antes de partir, perguntei o que era aquela coisa de proposta que faria. Sim, era intenção fazê-la, todavia, não dependia somente dele, tinha que consultar outras pessoas, coisa que faria no fim de semana e na segunda-feira falaria sobre o assunto. Depois dessa, como estava em cima da hora, despediu-se desejando boa sorte na empreitada e confirmando. Eu, voltei para casa só pensando em como eu ia fazer para conseguir o violão emprestado. Se não a encontrasse junto com a turma, aí teria que ir até sua casa. Das duas, pensei eu, a segunda era a menos pior, pois se levasse um toco, que fosse pelo menos em particular. Como nos dávamos super bem, a única objeção possível que passava na minha cabecinha era: não poder, pois precisava dele. Eu precisava comprar um violão urgentemente. Nessas horas a gente lamenta ser jovem e pobre, mais pobre do que jovem, entretanto, são pequenas angústias que logo passam e tocamos em frente...  

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