Capítulo 9 - QUE SITUAÇÃO!
No dia seguinte, era uma sexta-feira e o calendário noturno
de aulas mais frouxo, permitia que saíssemos mais cedo. Quando cheguei não o
vi. Fui para a primeira aula divido entre atenção e pensamentos. No término da
segunda aula, o que seria a hora do intervalo, na sexta-feira já era hora de ir
embora, então no corredor procurei-o no meio da confusão de alunos se mandando.
Apesar de ser apenas um largo corredor, não era tão fácil, quando você
praticamente tem que procurar diferenciando cabeças e cabelos, para minha sorte
este detalhe contava a favor, pois ele tinha um cabelo diferente e como parecia
não haver igual, quando avistei não deu outra, era ele. Naquela época, quase
todo mundo tinha cabelo grande, eu não era diferente, mas cabelo em caracol
grande, que eu conhecia, só Caetano e ele. Como não era o Caetano no corredor,
sem lenço e nem documento, então.... Nos cumprimentamos, de cara percebi que
não havia violão, o que me deixou decepcionado. Gesticulou para que fossemos
caminhando para fora da escola. Do lado de fora, virou-se e pediu desculpas por
não poder ficar mais tempo, pois tinha um compromisso, contudo, ainda tinha
curiosidade em conhecer as minhas músicas. Sensatamente admitiu que ali na
escola seria muito difícil poder ouvir com calma, que o mais adequado seria nos
encontrarmos ou na minha ou na sua casa. Ao trocarmos endereços, surgiu uma boa
oportunidade. Ele trabalhava bem perto do meu endereço e seria fácil visitar-me
na hora do almoço. A princípio foi uma boa ideia; eu tinha facilidade de
horário, e ele uma hora e meia de almoço. Então me perguntou se eu tinha violão
em casa, foi aí que surgiu o primeiro obstáculo. Contei rapidamente a estória
da namorada e do violão. Por outro lado, seguiu-se a narrativa da dificuldade
de levar o instrumento para o trabalho. Ficamos alguns minutos pensando numa
alternativa, já que ele tinha que ir embora, estava difícil, mas veio, mesmo
sendo um sacrifício para mim. A ideia era que eu fosse até a minha ex no final
de semana e apela-se para os bons momentos e a amizade que ficou, e pedisse
emprestado o violão, que estava fazendo falta para praticar, e que assim que
comprasse o meu devolveria. Era uma tarefa constrangedora, tinha que ter cara
de pau ou de pinho, como preferir, mas era uma solução e possível. Solução mais
ou menos resolvida, combinamos para segunda-feira, mas, dependia do meu
sucesso. Antes de partir, perguntei o que era aquela coisa de proposta que
faria. Sim, era intenção fazê-la, todavia, não dependia somente dele, tinha que
consultar outras pessoas, coisa que faria no fim de semana e na segunda-feira
falaria sobre o assunto. Depois dessa, como estava em cima da hora, despediu-se
desejando boa sorte na empreitada e confirmando. Eu, voltei para casa só
pensando em como eu ia fazer para conseguir o violão emprestado. Se não a
encontrasse junto com a turma, aí teria que ir até sua casa. Das duas, pensei
eu, a segunda era a menos pior, pois se levasse um toco, que fosse pelo menos
em particular. Como nos dávamos super bem, a única objeção possível que passava
na minha cabecinha era: não poder, pois precisava dele. Eu precisava comprar um
violão urgentemente. Nessas horas a gente lamenta ser jovem e pobre, mais pobre
do que jovem, entretanto, são pequenas angústias que logo passam e tocamos em
frente...
Nenhum comentário:
Postar um comentário