Capítulo 7 - MENTE ABERTA
O namoro acabou. O violão voltou para as mãos da dona. No trabalho
fui demitido. Olhando assim pelo lado pessimista, parece que um furacão acabou
de passar e levar tudo que eu tinha, que nada, se pensar bem eu não tinha nada;
nada era meu de fato. Nunca fui dono da namorada, nunca fui dono do violão,
nunca fui dono da empresa que eu trabalhava, mas uma coisa eu era dono: de mim.
Sendo assim, era só seguir em frente. Dizem, eu não estou aqui afirmando que
seja uma verdade, verdadeira, verídica, apenas... dizem, que quando você tem
por hábito praticar gentileza, – o profeta já dizia – ter atitudes verdadeiras,
sinceras, fazer o seu sem precisar prejudicar ninguém, estar disponível,
contribuir sem pensar ou ter a intenção de algo em troca, então quando as coisas
aparentemente viram contra você, tudo é momentâneo, passageiro, e o que é mais
importante, significa que você evoluiu e agora pode receber uma graça, e de
repente surge um novo horizonte, que é para onde você começará a caminhar. Caramba! De repente surgiu uma
inspiração mística, e eu acabei fugindo um pouco do foco, mas voltemos a
caminhada. Diante dessa mística explicação, declaro a vocês que logo adiante viria
e eu viveria novas experiências, que seriam transformadoras. Passado o furacão,
hora de catar as sobras e pensar o que fazer, entretanto, antes mesmo de eu
concluir meus pensamentos, as coisas foram surgindo, que eu nem reagi, me
deixei ir. Apareceu trabalho, e o trampo foi uma dádiva, não que me daria chances
de carreira ou coisa semelhante. É que eu até então não tinha tido muito
contato com literatura, e justamente naquele momento eu iria trabalhar com
livros. Foi uma experiência maravilhosa, evolutiva, arrebatadora. Eu conheci o
mundo através das escritas dos maiores e melhores escritores. Foi um
crescimento cultural imensurável. Ali nas minhas mãos, devorados e capitados pelos
meus olhos, que passava para a minha mente em doses diárias, fui presenteado
com a maior riqueza que um jovem pode receber: cultura geral. Insaciável, eu
devorava todas as vertentes, tudo era novidade, por isso foram muitas as vezes em
que passei a madrugada toda lendo, e quando acabava, o sol dava o seu brilho
anunciando a chegada do dia.
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