domingo, 3 de julho de 2016

Capítulo 7 - MENTE ABERTA



O namoro acabou. O violão voltou para as mãos da dona. No trabalho fui demitido. Olhando assim pelo lado pessimista, parece que um furacão acabou de passar e levar tudo que eu tinha, que nada, se pensar bem eu não tinha nada; nada era meu de fato. Nunca fui dono da namorada, nunca fui dono do violão, nunca fui dono da empresa que eu trabalhava, mas uma coisa eu era dono: de mim. Sendo assim, era só seguir em frente. Dizem, eu não estou aqui afirmando que seja uma verdade, verdadeira, verídica, apenas... dizem, que quando você tem por hábito praticar gentileza, – o profeta já dizia – ter atitudes verdadeiras, sinceras, fazer o seu sem precisar prejudicar ninguém, estar disponível, contribuir sem pensar ou ter a intenção de algo em troca, então quando as coisas aparentemente viram contra você, tudo é momentâneo, passageiro, e o que é mais importante, significa que você evoluiu e agora pode receber uma graça, e de repente surge um novo horizonte, que é para onde  você começará a  caminhar. Caramba! De repente surgiu uma inspiração mística, e eu acabei fugindo um pouco do foco, mas voltemos a caminhada. Diante dessa mística explicação, declaro a vocês que logo adiante viria e eu viveria novas experiências, que seriam transformadoras. Passado o furacão, hora de catar as sobras e pensar o que fazer, entretanto, antes mesmo de eu concluir meus pensamentos, as coisas foram surgindo, que eu nem reagi, me deixei ir. Apareceu trabalho, e o trampo foi uma dádiva, não que me daria chances de carreira ou coisa semelhante. É que eu até então não tinha tido muito contato com literatura, e justamente naquele momento eu iria trabalhar com livros. Foi uma experiência maravilhosa, evolutiva, arrebatadora. Eu conheci o mundo através das escritas dos maiores e melhores escritores. Foi um crescimento cultural imensurável. Ali nas minhas mãos, devorados e capitados pelos meus olhos, que passava para a minha mente em doses diárias, fui presenteado com a maior riqueza que um jovem pode receber: cultura geral. Insaciável, eu devorava todas as vertentes, tudo era novidade, por isso foram muitas as vezes em que passei a madrugada toda lendo, e quando acabava, o sol dava o seu brilho anunciando a chegada do dia.            

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