Capítulo 71 – CHEGA DE MÚSICAS PATÉTICAS
As músicas de hoje
são, em sua maioria, destinadas apenas à dança. Mas nem sempre foi assim. Já
houve tempos em que elas se valiam mais de suas vibrações para transmitir
conteúdos que as palavras, sozinhas, não eram capazes de passar.
Entre uma nota e
outra, até mesmo o silêncio denunciava a angústia de inúmeras pessoas que
tiveram seus gritos de socorro sufocados durante períodos obscuros da história
do Brasil. Elas, as poderosas músicas, já foram capazes de atrair multidões que
lutavam pela liberdade e pelo fim de um regime cruel, traduzindo em belíssimas
melodias os pensamentos de toda uma nação.
A falta de bons
equipamentos nunca foi capaz de impedir a voz daqueles que a utilizavam como
protesto, estimulando vidas que se deixavam desgastar em prol da liberdade de
tantas outras. As palmas, os assobios e os clamores invadiam as ruas e formavam
música como nunca antes tinha sido ouvida, deixando profundas marcas na pele e
no coração daquelas pessoas.
Como um poderoso
produto cultural, a música chegou aos nossos dias com características muito
diferentes do que pode ser observado na história brasileira. Os tempos mudaram,
é fato, mas ainda há muito para se lutar. É preciso tomar as rédeas e valorizar
todos os benefícios que foram conquistados para nós.
Com conteúdo
destinado apenas para dar prazer ao corpo por meio da dança, a música de hoje
parece abandonar as suas inegáveis potencialidades. Mas não é nada com ela, e
sim com aqueles que a produzem, visando atingir o maior número de pessoas
possível. E atingem. As pessoas hoje se satisfazem com apenas um ritmo
dançante, não se preocupando com o conteúdo e, muito menos, com a função
inicial da música.
Ela é uma das
grandes marcas de um tempo, de uma época, de uma sociedade, e, por isso, merece
ser mais bem-composta, mais bem-apreciada, pois é uma das grandes
representações do nosso amado Brasil. Mas quem gritará por ela? Quem rogará por
canções que denunciem as mazelas de tantos brasileiros que parecem esquecidos
pelo poder público? A educação, certamente, pois é nela que a criança, o jovem
e o adulto têm a oportunidade de refletir sobre tudo o que os envolve
diariamente.
No caminho para a
casa, ao ir à padaria da esquina, ao ligar a televisão, ao passar por alguma
loja no centro da cidade, enfim, a todo o momento, todos nós estamos envolvidos
pela música. Esta, a exemplo do que aconteceu no passado, precisa fazer valer
as suas mais altas qualidades e características.
Unidos, sons,
silêncios, vozes, instrumentos e vibrações podem produzir sensações como as de
um guerreiro, o qual não se curva diante das formas impostas por políticas
desumanas. Um guerreiro como tantos outros que lutaram pela liberdade de que
hoje desfrutamos, liberdade que, infelizmente, tem sido muito utilizada de modo
equivocado.
A música, com todo
o seu potencial, precisa assumir-se novamente em suas funções para a promoção
do bem, da paz, da alegria e, enfim, da real liberdade.
"Como um anjo caído, fiz questão de
esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira", "Que só eu
que podia dentro da tua orelha fria, dizer segredos de liquidificador",
"Queixo-me às rosas, mas que bobagem as rosas não falam, simplesmente as
rosas exalam o perfume que roubam de ti"...Bons tempos aqueles em que a música
brasileira possuía bom compositores.
Bons tempos aqueles em que as músicas possuíam conteúdo, mensagens, poesia e rebeldia com justa causa. Quando andavam pelo Brasil compositores e cantores como Cartola, Tom Jobim, Renato Russo, Cazuza, entre outros gênios da música brazuca. Nesses tempos, você poderia dançar ou apenas curtir a música, se assim quisesse. Tempos em que artistas faziam canções; quando a música só era cantada por cantores de verdade. Mas hoje, as coisas estão um "pouquinho" diferentes aqui no nosso país.
Quem domina a música brasileira hoje são o axé, funk, brega, pagode e forró universitário. Temos agora um novo estilo de música, o "sertanejo universitário", seja lá o que isso signifique. Hoje, você não precisa mais ser artista para entrar no ramo de música; basta saber dançar, ter um corpo em forma e saber ler e escrever um pouco. Qualquer imbecil pode fazer sucesso na atual música brasileira. Músicas ridículas como "Rebolation", "Créu", são um pequeno exemplo do patético momento em que passa a música brasileira. Isso porque os ritmos que estão dominando o país são voltados para a dança, e consequentemente as letras ficam em segundo plano. Não que dançar seja ruim, mas não precisam colocar letras tão baixas, não é? São letras tão ridículas que as vezes fico surpreso como essas coisas que as pessoas chamam de "musica", podem fazer sucesso. Naturalmente, como não é preciso ser muito talentoso para fazer sucesso no atual momento da nossa música, o nível dos "artistas"(eles não são artistas, mas vou chama-los assim para mostrar um mínimo de respeito) cai drasticamente.
Bons tempos aqueles em que as músicas possuíam conteúdo, mensagens, poesia e rebeldia com justa causa. Quando andavam pelo Brasil compositores e cantores como Cartola, Tom Jobim, Renato Russo, Cazuza, entre outros gênios da música brazuca. Nesses tempos, você poderia dançar ou apenas curtir a música, se assim quisesse. Tempos em que artistas faziam canções; quando a música só era cantada por cantores de verdade. Mas hoje, as coisas estão um "pouquinho" diferentes aqui no nosso país.
Quem domina a música brasileira hoje são o axé, funk, brega, pagode e forró universitário. Temos agora um novo estilo de música, o "sertanejo universitário", seja lá o que isso signifique. Hoje, você não precisa mais ser artista para entrar no ramo de música; basta saber dançar, ter um corpo em forma e saber ler e escrever um pouco. Qualquer imbecil pode fazer sucesso na atual música brasileira. Músicas ridículas como "Rebolation", "Créu", são um pequeno exemplo do patético momento em que passa a música brasileira. Isso porque os ritmos que estão dominando o país são voltados para a dança, e consequentemente as letras ficam em segundo plano. Não que dançar seja ruim, mas não precisam colocar letras tão baixas, não é? São letras tão ridículas que as vezes fico surpreso como essas coisas que as pessoas chamam de "musica", podem fazer sucesso. Naturalmente, como não é preciso ser muito talentoso para fazer sucesso no atual momento da nossa música, o nível dos "artistas"(eles não são artistas, mas vou chama-los assim para mostrar um mínimo de respeito) cai drasticamente.
São raros os grandes cantores.
Para não dizer que nenhum presta, o axé baiano revelou Ivete Sangalo, que se não é compositora (competente), é uma bela cantora. Em termos de compositores, prefiro não falar muito para não ficar triste: basta ouvir as letras das músicas que estão fazendo sucesso ultimamente. Lixo. Mas porque estamos assim? Como chegamos nessa lama? Bom, a partir do momento em que os mercados da música, literatura e cinema ficaram multimilionários, os produtos precisaram ser vistos de duas maneiras: a comercial e a artística. Muitos cantores e bandas vendem seus produtos bem rápido, ou seja, são bons do ponto de vista comercial; todavia do ponto de vista artístico são um lixo. Veja o "rebolation" por exemplo. A música fez sucesso tão rápido e sumiu tão rápido. Ela nunca será lembrada daqui a dez anos. E porquê? Porque é um produto descartável.
Por outro lado, existem produtos que são bons do ponto de vista artístico, mas não ficam populares. Quantas músicas, filmes e livros bons você já viu que não fizeram muito sucesso? Vários, não é? E tem também aqueles mais incomuns, que são bons tanto artisticamente quanto comercialmente, como a Legião Urbana por exemplo. Infelizmente, o mercado de música brasileira está repleto de produtos que são bons do ponto de vista comercial, mas são patéticos do ponto de vista artístico.
E enquanto ficarmos assim, não teremos grandes compositores, grandes cantores dando as caras por aí. Somente palhaços e palhaças com suas músicas vergonhosas. Esperamos que o rock, reggae, MPB e outros estilos que favorecem mais a inteligência e a poesia, voltem a brilhar no nosso país. Chega dessas músicas de nível baixo, feita para pessoas com pouca coisa na cabeça. Chega de músicas patéticas. Inté!
Para não dizer que nenhum presta, o axé baiano revelou Ivete Sangalo, que se não é compositora (competente), é uma bela cantora. Em termos de compositores, prefiro não falar muito para não ficar triste: basta ouvir as letras das músicas que estão fazendo sucesso ultimamente. Lixo. Mas porque estamos assim? Como chegamos nessa lama? Bom, a partir do momento em que os mercados da música, literatura e cinema ficaram multimilionários, os produtos precisaram ser vistos de duas maneiras: a comercial e a artística. Muitos cantores e bandas vendem seus produtos bem rápido, ou seja, são bons do ponto de vista comercial; todavia do ponto de vista artístico são um lixo. Veja o "rebolation" por exemplo. A música fez sucesso tão rápido e sumiu tão rápido. Ela nunca será lembrada daqui a dez anos. E porquê? Porque é um produto descartável.
Por outro lado, existem produtos que são bons do ponto de vista artístico, mas não ficam populares. Quantas músicas, filmes e livros bons você já viu que não fizeram muito sucesso? Vários, não é? E tem também aqueles mais incomuns, que são bons tanto artisticamente quanto comercialmente, como a Legião Urbana por exemplo. Infelizmente, o mercado de música brasileira está repleto de produtos que são bons do ponto de vista comercial, mas são patéticos do ponto de vista artístico.
E enquanto ficarmos assim, não teremos grandes compositores, grandes cantores dando as caras por aí. Somente palhaços e palhaças com suas músicas vergonhosas. Esperamos que o rock, reggae, MPB e outros estilos que favorecem mais a inteligência e a poesia, voltem a brilhar no nosso país. Chega dessas músicas de nível baixo, feita para pessoas com pouca coisa na cabeça. Chega de músicas patéticas. Inté!