Capitulo 68 – A CRISE DA
NOSSA MPB
A música popular brasileira está em crise. Pelo menos aquela que se rotulou, na década de setenta, como MPB. A que se inscreveu na História como transgressora e libertária nos tempos da ditadura. Levando essa bandeira na era dos festivais no circuito Sampa-Rio.
Aliás, essa música, em 2007 comemorou 40 anos dos primeiros festivais, e este ano: 50 de Bossa-Nova.
Os compositores como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Gonzaguinha, Paulo César Pinheiro, Tom Jobim e Milton Nascimento. Só para ficarmos com sete nomes expressivos dessa época. Apenas o último, o mineiro-carioca de mil tons, conseguiu se fixar, atualizando-se, no gosto da juventude de hoje.
Se não acredita, meu querido leitor, então faça o teste. Pergunte a jovens na faixa de dezesseis aos vinte e cinco anos quem é Edu Lobo, Marcos Valle, Taiguara, Geraldo Vandré? Agora, pasme! Sequer o ícone mais querido Chico Buarque é conhecido.
A culpa é de quem? Das rádios que não tocam mais esses compositores? Não creio. Deve haver outro fator endógeno no meio do caminho como a pedra do poeta itabirano.
O brasileiro padece da enfermidade inquieta do nihilismo. Tudo acaba em nada. Ás vezes dá um tempo como chuva de verão, só para “deixa ficar, que eu quero ver aonde vai dar esse chove não molha”.
Como se joga fora, descartando-a como passadista, a BOSSA NOVA? O movimento musical mais expressivo da música popular da nossa história. A música que levou o Brasil mundo afora até hoje.
Os que viajam para América do Norte USA, Canadá e México sabem disso. Se for para a Europa aí é que ela continua tocando. Marcos Valle está muito bem obrigado em Londres.
A Tropicália dos baianos ainda sobrevive porque Gil e Caetano sempre tiveram proximidade maior junto aos jovens músicos, aos anseios dos ouvidos mais roqueiros e pops. Hoje você pode escutar hits dos dois até hoje sendo tocados em releitura por bandas de rock.
A minha tese é a de que os grandes compositores da era dos festivais se acomodaram. O público brasileiro, exigente, também descartou essa turma talentosa. Colocando-os como os “órfãos da MPB”. Não há mais milicos atravancando as nossas liberdades para um clima de música de protesto. Por isso mesmo a fórmula dos velhos festivais se exauriu. Muitos, da minha geração sessentinha, se exilaram, também órfãos de Marx, migrando para o esotérico. Na música para a NEW AGE, na literatura para o recontar sufi-bíblico-alcorânico de Paulo Coelho. Muito melhor como parceiro de Raulzito, sem dúvida.
E aonde buscar uma saída? Creio que o exemplo mais expressivo, está na proposta de Chico Science e Mestre Ambrósio em Pernambuco, por exemplo. Há outros indícios de mudança nos recantos mais escondidos do nosso Brasilzão..
Não podemos nos dar o luxo de jogar no lixo boas propostas. Pela nossa riqueza rítmica e cultural. Essa diversidade que encanta estrangeiros ao ponto de aqui virem buscar as nossas batidas e transformá-las, pela beleza e pelo marketing, num batuque universal.
Fica a pergunta em tom de provocação. Espicaçar para traçar uma reta. Antes que acusem o nosso espaço sistêmico pela culpa da pirataria e pela programação das rádios. A Internet é mais embaixo.
A música popular brasileira está em crise. Pelo menos aquela que se rotulou, na década de setenta, como MPB. A que se inscreveu na História como transgressora e libertária nos tempos da ditadura. Levando essa bandeira na era dos festivais no circuito Sampa-Rio.
Aliás, essa música, em 2007 comemorou 40 anos dos primeiros festivais, e este ano: 50 de Bossa-Nova.
Os compositores como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Gonzaguinha, Paulo César Pinheiro, Tom Jobim e Milton Nascimento. Só para ficarmos com sete nomes expressivos dessa época. Apenas o último, o mineiro-carioca de mil tons, conseguiu se fixar, atualizando-se, no gosto da juventude de hoje.
Se não acredita, meu querido leitor, então faça o teste. Pergunte a jovens na faixa de dezesseis aos vinte e cinco anos quem é Edu Lobo, Marcos Valle, Taiguara, Geraldo Vandré? Agora, pasme! Sequer o ícone mais querido Chico Buarque é conhecido.
A culpa é de quem? Das rádios que não tocam mais esses compositores? Não creio. Deve haver outro fator endógeno no meio do caminho como a pedra do poeta itabirano.
O brasileiro padece da enfermidade inquieta do nihilismo. Tudo acaba em nada. Ás vezes dá um tempo como chuva de verão, só para “deixa ficar, que eu quero ver aonde vai dar esse chove não molha”.
Como se joga fora, descartando-a como passadista, a BOSSA NOVA? O movimento musical mais expressivo da música popular da nossa história. A música que levou o Brasil mundo afora até hoje.
Os que viajam para América do Norte USA, Canadá e México sabem disso. Se for para a Europa aí é que ela continua tocando. Marcos Valle está muito bem obrigado em Londres.
A Tropicália dos baianos ainda sobrevive porque Gil e Caetano sempre tiveram proximidade maior junto aos jovens músicos, aos anseios dos ouvidos mais roqueiros e pops. Hoje você pode escutar hits dos dois até hoje sendo tocados em releitura por bandas de rock.
A minha tese é a de que os grandes compositores da era dos festivais se acomodaram. O público brasileiro, exigente, também descartou essa turma talentosa. Colocando-os como os “órfãos da MPB”. Não há mais milicos atravancando as nossas liberdades para um clima de música de protesto. Por isso mesmo a fórmula dos velhos festivais se exauriu. Muitos, da minha geração sessentinha, se exilaram, também órfãos de Marx, migrando para o esotérico. Na música para a NEW AGE, na literatura para o recontar sufi-bíblico-alcorânico de Paulo Coelho. Muito melhor como parceiro de Raulzito, sem dúvida.
E aonde buscar uma saída? Creio que o exemplo mais expressivo, está na proposta de Chico Science e Mestre Ambrósio em Pernambuco, por exemplo. Há outros indícios de mudança nos recantos mais escondidos do nosso Brasilzão..
Não podemos nos dar o luxo de jogar no lixo boas propostas. Pela nossa riqueza rítmica e cultural. Essa diversidade que encanta estrangeiros ao ponto de aqui virem buscar as nossas batidas e transformá-las, pela beleza e pelo marketing, num batuque universal.
Fica a pergunta em tom de provocação. Espicaçar para traçar uma reta. Antes que acusem o nosso espaço sistêmico pela culpa da pirataria e pela programação das rádios. A Internet é mais embaixo.
Nos versos da música “Alegria, Alegria” cantados e entoados por décadas
na voz de Caetano Veloso, o compositor falava dos tempos difíceis e
massacrantes do período de repressão da ditadura civil militar que condenou o
Brasil durante 21 anos, vitimando milhares de pessoas. Apesar de intitulada
“Alegria, Alegria”, sua letra e sentido lírico não denotam em nada momentos de
felicidade e satisfação. Caetano magistralmente buscou apresentar toda sua
revolta e dor com o cenário político-social da época. Falou através da música,
pois era uma das únicas formas que existia para expressar sua opinião sem ser
censurado e, consequentemente, preso, torturado e/ou morto. Foram tempos difíceis.
Época onde o alcance dos gritos de liberdade e luta eram de difícil
abrangência. Tempos em que o advento da informação era limitado e os que
existiam eram claramente tendenciosos e apoiadores do regime ditatorial.
Artistas como Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Elis
Regina, Milton Nascimento, dentre outros, cantaram suas vivências e indignações
em canções de sentidos diretos e/ou indiretos.
“Esses artistas procuraram observar de que maneira a situação
sociopolítica – censura, controle, repressão, cerceamento de liberdades –
imposta pela ditadura foi determinante na forma e nas escolhas discursivas,
sendo capaz de fazer surgir um novo gênero musical – o gênero de
protesto”(Calazans, 2016).
Justificaram seu povo, sua época e as aflições que nela existiam. Tudo
isso sem advento das tecnologias e a extensão que a informação tem nos dias
atuais. Isso era 1964. Hoje, 52 anos depois, temos uma velocidade na informação
que transpassa o pensar e sua dimensão é imensurável. As situações políticas e
sociais não são as mesmas e, consequentemente, com a liberdade política e de
expressão, uma paleta de opiniões e pensamentos é tão próxima da existência
plena que chega a ser tateável. Com isso, poderíamos dizer que aquela situação
de 1964 estaria certamente extinta, ou seja, não haveria espaço jamais para que
uma ditadura pudesse impor suas mãos de “chumbo” sobre a opinião alheia e, por
conseguinte, influenciar no discurso de quem quer que seja. Pois é, não é bem
assim.
Vivemos em nosso país um tremendo estado político-social de preocupação
quanto aos inúmeros direitos políticos conquistados a duras lutas e, muitas
vezes, banhados a sangue de inocentes. Não quero entrar diretamente no nicho
político da questão, até porque esse é bem amplo e complexo. Quero falar do
comparativo dos cenários de 1964 e 2016, quanto à representatividade da música
e a opinião político-social dos que hoje são os “grandes nomes da música
brasileira” e, portanto, fazer um parâmetro do acesso de informações e sua
abrangência. Quero falar do artista como uma representação de sua época e seu
público.
O ano é 2016 e a visibilidade, seja em qual campo for, é infinitamente
maior. Os “15 minutos de fama” nunca se justificaram tanto quanto nos dias
atuais. Diariamente surgem inúmeros novos “artistas” e a amplitude do alcance
de sua voz (e opinião), é estrondoso. O artista, por si só, é um formador de
opiniões, um direcionador social. Sendo assim, entende-se que no cenário
político atual muitos dos maiores nomes da música brasileira no momento
estariam, com sua popularidade, expressando sua opinião quanto aos atuais
acontecimentos, certo?! Não é bem assim. O que existe dessa galerinha é apenas
um silêncio quase que ensurdecedor.
Estamos falando de artistas com um enorme público. Aqueles que detêm
milhões de seguidores nas redes sociais e que, com isso, teriam suas opiniões
alcançadas numa dimensão assombrosa. Afinal, momento mais propício para levar
sua fala quanto a sua relação político-social não haveria. Isso só vem a provar
que não há engajamento político e social desses artistas. São apenas “business
and business”.
É triste enxergar que uma ferramenta tão importante e agregadora como a
música brasileira está entregue nas mãos de artistas que tem uma visibilidade
enorme, como Ivete Sangalo, Wesley Safadão, Cláudia Leitte, Anitta,
mas que, na contramão, nenhum desses faz uso da imagem e alcance que tem para
lutar por causas sociais e políticas necessárias. Preferem o “muro” como
morada, para não decepcionar nenhum dos lados e não perder parcelas de seu
“fiel” público. O campo de batalha não os pertence. Na verdade, não os merece.
Não se pede deles uma opinião formada sobre determinado “lado”, mas que
expressem de alguma forma o conhecimento do momento, seu povo e o cenário onde
atuam. Pede-se que opinem através de suas músicas.
Não é apenas saudosismo, eu juro, mas é inevitável não desejar a
presença tão ávida de um Chico, um Caetano, uma Elis, um Gil. E são esses
artistas, no seio de um turbilhão de acontecimentos, que estão vindo a público
expor suas ideologias e opiniões diversas. São artistas que convergem e
comungam de veias sociais e que, diante da conjuntura atual, não se calam e
expõem aquilo que pensam (uns mais que os outros). A sociedade precisa se
sentir representada na música, pois esse também é um dos inúmeros papéis que
esse importante instrumento oferece (não apenas o entretenimento, mas, e
principalmente, o cunho político social). Mas tá difícil, viu!
O bom disso tudo é saber que mesmo sem a enorme popularidade “desses
artistas” (Ivete, Cláudia, Wesley e outros), temos nomes como Otto, Tico Santa
Cruz, Lirinha, Chico César, Thaíde, Criolo, Racionais Mc’s, Mc Carol, Karol
Conca, dentre outros, que puxam as correntes das causas sociais e trazem para o
debate aberto os temas mais relevantes e necessários do cotidiano. Afinal, Mc
Carol já dizia nos versos de Delação Premiada:
“Troca de plantão a bala come é fera
Ontem teve arrego
Rolou baile na favela
Ontem teve arrego
Rolou baile na favela
Sete da manhã
Muito tiro de meiota
Mataram uma criança indo pra escola…
Muito tiro de meiota
Mataram uma criança indo pra escola…
…afastamento da polícia é o único resultado
Não existe justiça
Se assassino tá fardado.
Não existe justiça
Se assassino tá fardado.
Na televisão
A verdade não importa
É negro, favelado, então tava de pistola…”
A verdade não importa
É negro, favelado, então tava de pistola…”
Essa é a hora. A hora de fazer a revolução também através da música,
portanto, play no Spotify e vamos à luta, amigos e amigas…