sexta-feira, 24 de junho de 2016

Capítulo 6 - MEU BOM COMPANHEIRO VIOLÃO

Violão. Foi uma escolha assim... como diria... não foi uma paixão fulminante, foi mais por simpatia e até certo ponto racional, pois o instrumento era mais fácil de carregar e como eu não possuía, pedir emprestado ou filar para uma breve apresentação também facilitava. Como eu lhes confidenciei a algumas palavras atrás, eu não tinha o instrumento. Nem recurso para obtê-lo. Então como ele já era o escolhido para transportar dos meus pensamentos íntimos para a realidade geral, eu teria que primeiro aprender como manuseá-lo. Não foi muito difícil, já que por essas e por outras, que só o destino terá as respostas, se é para tê-las, que numa festa cheio de cuba-libre, eu conheci e comecei a namorar uma menina que estudava música e além do violão, tocava também piano, que era o seu instrumento de estudo. Os astros conspiravam a meu favor. Nós fomos nos conhecendo melhor, e percebendo que havia sintonia. Daí a diante, passei a receber aulas de violão grátis, só tinha um pequeno problema a ser resolvido. Como praticar as aulas se eu ainda não tinha o instrumento? Vocês já devem de ter imaginado: “ora se ele estava namorando e ela tinha o violão, era só pedir emprestado. ” Então, para minha surpresa, nem precisei pedir, ela notando que eu voltava e não progredia muito, perguntou: “ você tem violão para praticar? “ Eu meio envergonhado respondi que não. Aí ela sentenciou: “ então leva o meu, senão, você nunca vai progredir. “ O tempo passava, e eu lá em casa, praticando as aulinhas de violão. Cantando algumas músicas fáceis, coisa de iniciante, e tendo uma enorme dificuldade para aprender a fazer uma pestana – quem toca sabe o que é – mas insistindo, perseverando. Quando estava melhorzinho, comecei então a me arriscar a compor.                

  

terça-feira, 14 de junho de 2016

Capítulo 5 - GOSTO AMARGO



Bem, após fazer 15 anos, me encontrava envolvido nos treinamentos de uma escolinha de futebol num clube, quando fui abruptamente abduzido direto de dentro do campo de futebol, para o interior de um imenso prédio, para decidir se continuava a bater minha bolinha ou se me rendia a necessidade de ter que contribuir com algum, já que a partir daquele momento eu passaria a morar com a minha mãe e uma parte dos custos pesariam sobre meus ombros, foi uma decisão dolorosa; uma passagem para a vida adulta sem ritual, sem preparo. Éramos, apenas eu e um estranho, dentro de uma sala desconhecida – pelo menos para mim -  e com toda pressão por uma resposta, apenas cinco minutos, foram umas cinco vezes que o "não" veio até a ponta da língua, mas a imagem da minha mãe chegava antes e não era nada agradável, então, encurralado aceitei. O gosto amargo eu sinto até hoje, porém, tenho que confessar, eu não nasci para ser jogador de futebol, apesar de possuir algum talento, e, tem outra coisa, essas porradas vão construindo uma armadura em torno de você, que ao longo da vida te fortalece. Esse hiato no tempo, deve-se a muitas reviravoltas, turbulências, calmarias, mas em outra sintonia, contudo, quis o destino que eu fizesse novas amizades e não satisfeito, ainda, mando-as em plena formação musical, o que despertou de um sono profundo, aquele meu velho interesse por música. Entre flauta, bateria, piano, guitarra, violão, fiz minha escolha.       

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Capítulo 4 - FANTASMAS DA INFÂNCIA



Meu entusiasmo durou pouco e minha inspiração também. O inesperado chega para todo mundo, não tem idade, a diferença é que quando se é criança, os adultos são diretamente os responsáveis por quase todas as surpresas, interferências, mudanças e mexidas na nossa zona de conforto e a criança já recebe o fato consumado. Mal tinha acabado o ano e eu já me via diante de uma situação nada confortável. Houve uma desavença na família e a casa onde eu morava, que era da minha vó, ela vendeu. Quando veio a notícia ao meu conhecimento, junto veio a decisão já tomada e pronto; eu iria para a casa do nosso tio – irmão mais novo de minha mãe – e meu irmão, iria para a casa de nossa tia – irmã mais velha de minha mãe. Não tinha o que discutir ou choramingar, estava decidido e acabado. Como erámos só eu, meu irmão e minha mãe, seria por pouco tempo, até minha mãe arrumar um lugar onde pudéssemos voltar a ficarmos juntos. Essas reminiscências são fantasmas que de vez enquanto aparecem, mas, agora, é só para ilustrar, pois foi justamente por esse motivo, que eu esqueci por um período que eu havia conhecido a música e que só voltaria a flertar com ela após alguns anos.

sábado, 4 de junho de 2016

Capítulo 3 - NO COMPASSO DA INTUIÇÃO


Sem instrumento, arrumei um jeito de compor, apenas com a força do pensamento e a memória servindo de arquivo. Não era uma tarefa fácil, contudo, o prazer de construir e concluir, ajudava e reforçava ainda mais a força de vontade. Sem saber ainda o que era um compasso. Compasso! Eu não sabia era porra nenhuma, eu era pura intuição. Me apropriei de um pedaço de madeira e envolvi nele um elástico, como se fosse um violão de uma corda só, então, eu passava os dedos de cima para baixo e vice-versa, realizava assim um ritmo e cantava uma melodia nessa batida junto com uma letra. Com esse recurso todo, consegui compor duas músicas. As melodias eram bem guardadas na memória, mas, para isso eu tinha que cantar umas trocentas vezes a exaustão. Quando a hora de dormir chegava, eu me embalava até o sono chegar e ao meu irmão que ao lado gostava de ouvir. No dia seguinte, nem parecia que eu havia passado a noite em sono profundo, ao abrir os olhos me vinha a lembrança do feito e cavoucando a mente em busca de um sinal, ia como um ser hipnotizado realizando a rotina, mas com o pensamento voltado completamente em busca da canção, que para espanto, surgia inteira, igualzinho ao sol que trazia luz depois das trevas.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Capítulo 2 - EMBROMATION AO SOM DA VITROLA

Não tenho a exatidão, há de convir que já faz o bom tempo, tinha, penso, uns 9 anos ou um pouquinho para baixo ou para cima, bem, o ano era... ah! Deixa para lá. Os adultos gostavam e eu cantarolava num embromation as mais executadas. Os Beatles estavam na crista da onda, gíria da época para quem estava fazendo sucesso, e eu como participava de algumas festas de adultos indo com a minha mãe, acabava fazendo, sem cerimônias, o maior sucesso cantando junto com o som da vitrola, outra relíquia para os tempos atuais. Não pensem que eu era um gênio, longe disso. O meu tempo era ocupado com a escola e estudos e claro, todas as brincadeiras de rua: pipa, futebol, carniça, bandeirinha, pique esconde, bola de gude, pião, pera, uva e maçã, bicicleta – inclusive neste quesito, eu trocava uma volta na minha bicicleta por um beijo e as meninas aceitavam e eu todo feliz achava que era o esperto, mal sabia que elas andavam de bicicleta só para inflar o meu ego, tão esperto, aaah! Essas meninas... Quando não estava aproveitando essa parte da minha infância intensamente, eu me encontrava envolvido em questionamentos sobre como parir a minha primeira composição. Eu não tocava nenhum instrumento, não tinha na rua ninguém que tocasse um, nem mesmo um simples violão, que diga-se de passagem o violão já vinha com um ranço de que quem o possuía e tocava na noite era vagabundo, mas essa é uma outra história. Minha família era muito humilde, ou seja, tínhamos casa, comida não faltava, harmonia e desavenças, mas o dinheiro era contado, então, pagar para ter aulas, nem pensar.
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RAÍZES


Capítulo 1 - DESPERTAR

Era um menino que amava os Beatles e os Rolling Stones não conhecia, mas só com esses, foi suficiente para despertar em mim a atenção para esse maravilhoso universo musical, mesmo não sabendo falar e entender inglês, a melodia era algo que fascinava, claro, vamos colocar um toque de sensibilidade que fui agraciado, portanto, aquelas ondas sonoras despertaram, do meu sono infantil, para uma realidade nova e encantadora para os meus sentidos auriculares até os desconhecidos por mim; para um mundo que até então eu nem havia percebido e que a partir daquele instante seria um grande descobrimento: O mundo da música.

Eu, sem pretensões grandiosas, gananciosas ou estrelismo, pretendo partilhar com vocês em pequenos relatos, um pouco da minha caminhada na trilha da música, que tanto amo e que me proporcionou momentos e emoções especiais de difícil explicação, mas que farei de tudo - espero conseguir – para traduzir de uma maneira que você que me lê, possa senti-la como se tivesse participado pessoalmente dessas histórias que eu vivi. Convido você, meu amigo, minha amiga, para viajarmos no tempo e que essa leitura tenha a força de transformação; transformar, não em admiração, mas sim, em uma aproximação maior entre vocês e o que eu sou.

O objetivo principal é a divulgação do trabalho autoral das músicas gravadas no CD ATEMPORAL. Algumas músicas foram compostas no final dos anos 70 e só agora é que receberam arranjos e gravações, mostrando como são realmente atemporais. Se não for pedir muito, faça um comentário e inscreva-se no canal, sua opinião é muito importante para avaliar se o meu trabalho musical têm consistência e proporciona prazer ao ouvi-lo.
Quer incrementar e inovar o seu playlist, faça download no cdbaby.com e ajude esse pobre compositor a gravar novas músicas.