quinta-feira, 9 de junho de 2016

Capítulo 4 - FANTASMAS DA INFÂNCIA



Meu entusiasmo durou pouco e minha inspiração também. O inesperado chega para todo mundo, não tem idade, a diferença é que quando se é criança, os adultos são diretamente os responsáveis por quase todas as surpresas, interferências, mudanças e mexidas na nossa zona de conforto e a criança já recebe o fato consumado. Mal tinha acabado o ano e eu já me via diante de uma situação nada confortável. Houve uma desavença na família e a casa onde eu morava, que era da minha vó, ela vendeu. Quando veio a notícia ao meu conhecimento, junto veio a decisão já tomada e pronto; eu iria para a casa do nosso tio – irmão mais novo de minha mãe – e meu irmão, iria para a casa de nossa tia – irmã mais velha de minha mãe. Não tinha o que discutir ou choramingar, estava decidido e acabado. Como erámos só eu, meu irmão e minha mãe, seria por pouco tempo, até minha mãe arrumar um lugar onde pudéssemos voltar a ficarmos juntos. Essas reminiscências são fantasmas que de vez enquanto aparecem, mas, agora, é só para ilustrar, pois foi justamente por esse motivo, que eu esqueci por um período que eu havia conhecido a música e que só voltaria a flertar com ela após alguns anos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário