Capítulo 4 - FANTASMAS DA INFÂNCIA
Meu entusiasmo durou pouco e minha inspiração também. O inesperado
chega para todo mundo, não tem idade, a diferença é que quando se é criança, os
adultos são diretamente os responsáveis por quase todas as surpresas,
interferências, mudanças e mexidas na nossa zona de conforto e a criança já
recebe o fato consumado. Mal tinha acabado o ano e eu já me via diante de uma situação
nada confortável. Houve uma desavença na família e a casa onde eu morava, que
era da minha vó, ela vendeu. Quando veio a notícia ao meu conhecimento, junto
veio a decisão já tomada e pronto; eu iria para a casa do nosso tio – irmão mais
novo de minha mãe – e meu irmão, iria para a casa de nossa tia – irmã mais
velha de minha mãe. Não tinha o que discutir ou choramingar, estava decidido e
acabado. Como erámos só eu, meu irmão e minha mãe, seria por pouco tempo, até
minha mãe arrumar um lugar onde pudéssemos voltar a ficarmos juntos. Essas reminiscências
são fantasmas que de vez enquanto aparecem, mas, agora, é só para ilustrar,
pois foi justamente por esse motivo, que eu esqueci por um período que eu havia
conhecido a música e que só voltaria a flertar com ela após alguns anos.
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