terça-feira, 14 de junho de 2016

Capítulo 5 - GOSTO AMARGO



Bem, após fazer 15 anos, me encontrava envolvido nos treinamentos de uma escolinha de futebol num clube, quando fui abruptamente abduzido direto de dentro do campo de futebol, para o interior de um imenso prédio, para decidir se continuava a bater minha bolinha ou se me rendia a necessidade de ter que contribuir com algum, já que a partir daquele momento eu passaria a morar com a minha mãe e uma parte dos custos pesariam sobre meus ombros, foi uma decisão dolorosa; uma passagem para a vida adulta sem ritual, sem preparo. Éramos, apenas eu e um estranho, dentro de uma sala desconhecida – pelo menos para mim -  e com toda pressão por uma resposta, apenas cinco minutos, foram umas cinco vezes que o "não" veio até a ponta da língua, mas a imagem da minha mãe chegava antes e não era nada agradável, então, encurralado aceitei. O gosto amargo eu sinto até hoje, porém, tenho que confessar, eu não nasci para ser jogador de futebol, apesar de possuir algum talento, e, tem outra coisa, essas porradas vão construindo uma armadura em torno de você, que ao longo da vida te fortalece. Esse hiato no tempo, deve-se a muitas reviravoltas, turbulências, calmarias, mas em outra sintonia, contudo, quis o destino que eu fizesse novas amizades e não satisfeito, ainda, mando-as em plena formação musical, o que despertou de um sono profundo, aquele meu velho interesse por música. Entre flauta, bateria, piano, guitarra, violão, fiz minha escolha.       

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