Capítulo 5 - GOSTO AMARGO
Bem, após fazer 15 anos, me encontrava envolvido nos
treinamentos de uma escolinha de futebol num clube, quando fui abruptamente abduzido direto
de dentro do campo de futebol, para o interior de um imenso prédio, para
decidir se continuava a bater minha bolinha ou se me rendia a necessidade de
ter que contribuir com algum, já que a partir daquele momento eu passaria a
morar com a minha mãe e uma parte dos custos pesariam sobre meus ombros, foi
uma decisão dolorosa; uma passagem para a vida adulta sem ritual, sem preparo.
Éramos, apenas eu e um estranho, dentro de uma sala desconhecida – pelo menos
para mim - e com toda pressão por uma
resposta, apenas cinco minutos, foram umas cinco vezes que o "não" veio até a
ponta da língua, mas a imagem da minha mãe chegava antes e não era nada agradável,
então, encurralado aceitei. O gosto amargo eu sinto até hoje, porém, tenho que
confessar, eu não nasci para ser jogador de futebol, apesar de possuir algum
talento, e, tem outra coisa, essas porradas vão construindo uma armadura em
torno de você, que ao longo da vida te fortalece. Esse hiato no tempo, deve-se a
muitas reviravoltas, turbulências, calmarias, mas em outra sintonia, contudo,
quis o destino que eu fizesse novas amizades e não satisfeito, ainda, mando-as
em plena formação musical, o que despertou de um sono profundo, aquele meu
velho interesse por música. Entre flauta, bateria, piano, guitarra, violão, fiz
minha escolha.
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