Capítulo 3 - NO COMPASSO DA INTUIÇÃO
Sem instrumento, arrumei um jeito de compor, apenas
com a força do pensamento e a memória servindo de arquivo. Não era uma tarefa
fácil, contudo, o prazer de construir e concluir, ajudava e reforçava ainda
mais a força de vontade. Sem saber ainda o que era um compasso. Compasso! Eu
não sabia era porra nenhuma, eu era pura intuição. Me apropriei de um pedaço de
madeira e envolvi nele um elástico, como se fosse um violão de uma corda só,
então, eu passava os dedos de cima para baixo e vice-versa, realizava assim um ritmo e cantava uma melodia nessa batida junto com uma letra. Com esse recurso todo,
consegui compor duas músicas. As melodias eram bem guardadas na memória, mas,
para isso eu tinha que cantar umas trocentas vezes a exaustão. Quando a hora de
dormir chegava, eu me embalava até o sono chegar e ao meu irmão que ao lado
gostava de ouvir. No dia seguinte, nem parecia que eu havia passado a noite em sono
profundo, ao abrir os olhos me vinha a lembrança do feito e cavoucando a mente
em busca de um sinal, ia como um ser hipnotizado realizando a rotina, mas com o
pensamento voltado completamente em busca da canção, que para espanto, surgia
inteira, igualzinho ao sol que trazia luz depois das trevas.
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