Capítulo 2 - EMBROMATION AO SOM DA VITROLA
Não tenho a exatidão, há de convir que já faz o bom tempo, tinha, penso, uns 9 anos ou um pouquinho para baixo ou para cima, bem, o ano era... ah! Deixa para lá. Os adultos gostavam e eu cantarolava num embromation as mais executadas. Os Beatles estavam na crista da onda, gíria da época para quem estava fazendo sucesso, e eu como participava de algumas festas de adultos indo com a minha mãe, acabava fazendo, sem cerimônias, o maior sucesso cantando junto com o som da vitrola, outra relíquia para os tempos atuais. Não pensem que eu era um gênio, longe disso. O meu tempo era ocupado com a escola e estudos e claro, todas as brincadeiras de rua: pipa, futebol, carniça, bandeirinha, pique esconde, bola de gude, pião, pera, uva e maçã, bicicleta – inclusive neste quesito, eu trocava uma volta na minha bicicleta por um beijo e as meninas aceitavam e eu todo feliz achava que era o esperto, mal sabia que elas andavam de bicicleta só para inflar o meu ego, tão esperto, aaah! Essas meninas... Quando não estava aproveitando essa parte da minha infância intensamente, eu me encontrava envolvido em questionamentos sobre como parir a minha primeira composição. Eu não tocava nenhum instrumento, não tinha na rua ninguém que tocasse um, nem mesmo um simples violão, que diga-se de passagem o violão já vinha com um ranço de que quem o possuía e tocava na noite era vagabundo, mas essa é uma outra história. Minha família era muito humilde, ou seja, tínhamos casa, comida não faltava, harmonia e desavenças, mas o dinheiro era contado, então, pagar para ter aulas, nem pensar.
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