Capítulo 6 - MEU BOM COMPANHEIRO VIOLÃO
Violão. Foi uma escolha assim... como diria... não foi uma
paixão fulminante, foi mais por simpatia e até certo ponto racional, pois o
instrumento era mais fácil de carregar e como eu não possuía, pedir emprestado
ou filar para uma breve apresentação também facilitava. Como eu lhes
confidenciei a algumas palavras atrás, eu não tinha o instrumento. Nem recurso
para obtê-lo. Então como ele já era o escolhido para transportar dos meus
pensamentos íntimos para a realidade geral, eu teria que primeiro aprender como
manuseá-lo. Não foi muito difícil, já que por essas e por outras, que só
o destino terá as respostas, se é para tê-las, que numa festa cheio de
cuba-libre, eu conheci e comecei a namorar uma menina que estudava música e
além do violão, tocava também piano, que era o seu instrumento de estudo. Os
astros conspiravam a meu favor. Nós fomos nos conhecendo melhor, e percebendo
que havia sintonia. Daí a diante, passei a receber aulas de violão grátis, só
tinha um pequeno problema a ser resolvido. Como praticar as aulas se eu ainda
não tinha o instrumento? Vocês já devem de ter imaginado: “ora se ele estava namorando
e ela tinha o violão, era só pedir emprestado. ” Então, para minha surpresa, nem
precisei pedir, ela notando que eu voltava e não progredia muito, perguntou: “
você tem violão para praticar? “ Eu meio envergonhado respondi que não. Aí ela sentenciou:
“ então leva o meu, senão, você nunca vai progredir. “ O tempo passava, e eu lá
em casa, praticando as aulinhas de violão. Cantando algumas músicas fáceis,
coisa de iniciante, e tendo uma enorme dificuldade para aprender a fazer uma
pestana – quem toca sabe o que é – mas insistindo, perseverando. Quando estava melhorzinho,
comecei então a me arriscar a compor.
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