quinta-feira, 7 de julho de 2016

Capítulo 8 - COINCIDÊNCIA INEXPLICÁVEL



Enquanto tudo isso acontecia, eu não podia deixar de lado os meus estudos. Trabalhava durante o dia, ainda bem que eu fazia o meu próprio horário, estudava a noite e emendava quando chegava em casa com um livro na madrugada, claro que para isso eu ajustava o meu trabalho para a parte da tarde do dia, quando não dava eu abria mão da leitura. Com a prática do violão adiada por falta do mesmo, algumas melodias iam explodindo na minha cabeça sem que eu soubesse nem sequer os acordes, e também não tinha como. Aí voltamos ao assunto já mencionado anteriormente, as coisas acontecem sem que você tenha a devida explicação, mas fica aquela interrogação, não na hora, as vezes anos depois, de que você estava no lugar certo, sendo apresentado a pessoa certa, com a finalidade de tudo se acertar. Foi justamente numa dispensa da última aula, pois o professor havia faltado, que eu ia me encaminhar para a saída, quando resolvi chegar até os fundos, já que estava com tempo, só para olhar o pátio da escola. Chegando percebi que havia dois alunos e um deles tocava um violão. Quando vi o instrumento e ouvi o som, não deu outra, me aproximei. A princípio o que não estava tocando até me cumprimentou com a cabeça, mas o que tocava e cantava estava em transe. Quando terminou a música, aí sim, se dispôs a me olhar e perguntou se eu tocava. O sujeito apesar de novo, sabia tocar muito bem, e eu fiquei ali na sua frente, pego de supetão, olhando-o; não com os olhos de uma rã, e sim com os olhos de um descobridor dos sete mares. Passado o susto da pergunta, eu respondi que não, e emendei se ele tirava no violão uma música se eu cantasse, ele respondeu que sim e pediu que eu mostrasse. Ajeitei o gogó e assim de prima mandei ver. O violão entrou quando eu começava a repetir a melodia desde o início. Os primeiros acordes apareceram depois que ele já tinha achado o tom da voz, e as notas dominantes, a partir daí os meus ouvidos e sentidos se encheram de alegria. Conforme íamos repetindo, ele tocava diferente e mais complicado, depois eu descobri que era um arranjo, mas não dificultava em nada para o canto, pelo contrário, ficava cada vez mais belo. Quando finalmente pareceu que ele havia ficado satisfeito com o resultado, pois não aplicou mais nenhuma mudança, fomos abruptamente interrompidos pelo chamado de um funcionário avisando que a escola ia fechar. É assim mesmo, quando estamos realizando algo em que o prazer rege as nossas ações, o tempo voa. Só deu tempo de um cumprimento rápido, com troca de nomes, um elogio quanto a música e a pergunta se eu tinha mais composições. Enquanto eu respondia que sim, ouvi que tínhamos de nos encontrar no dia seguinte para terminarmos àquela e que ele queria conhecer mais, além de uma proposta para uma outra coisa. Já era tarde, tomamos cada um o seu caminho de volta para casa. Dentro do ônibus, voltando para casa, fiquei encucado: O que ele queria dizer com proposta? 

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