Capítulo 81 – A MPB
ESTÁ EM TOTAL DECADÊNCIA.
A discriminação e o racismo continuam
presentes no meio artístico, a maneira que olham para os músicos, ainda não
enxergam como profissionais e sim como uma pessoa que não tem se quer um futuro
promissor. Porém, hoje, a sociedade enxerga estes profissionais
diferenciando-os entre os mesmos, famosos e não famosos. A desvalorização da
profissão artística, derrubou diversos talentos, e levantou outros, entre
estes, houve a ridicularização artística. Os músicos de qualidades, perderam o
espaço de escolha musical, estilos e composições, itens qualitativos que predominam
uma boa sonoridade.
Estes fatos, ocorrem por algumas
circunstâncias econômicas, estrangeirismo, predominação social, autoridades
governamentais e etc. A realidade que vivemos é triste. A liberdade de
expressão tornou-se um fator vergonhoso, onde o objetivo das músicas
elaboradas, vem desmoralizando a mulher, reforçando o vandalismo, a
criminalidade e desfazendo de uma sociedade e de um país rico culturalmente,
musicalmente e artisticamente. Sabe-se que a música tem um poder de mover a
grande massa, pessoas de diversas classes sociais e diferentes culturas ou
situações, isso tudo, através dos ritmos, compassos, letras e estilos musicais.
A MPB está em total decadência. O
consumismo vem prevalecendo no meio artístico, tornando o capital, o principal
motivo de uma apresentação ou evento, e não mais a paixão pelo o que se faz.
Assim, os profissionais passaram a investir em estudos e trabalhos fora do ramo
musical por um tempo, e outros para sempre. Por que deixar o mundo preto e
branco se temos diversas cores? Estes artistas, que tanto lutam por uma posição
digna, são as pessoas que mexem no mundo de modo a colorir e espalhar alegria
por onde tocam e cantam.
Posterior a esta crise no meio
artístico, houve uma transformação, a passagem de jovens talentos, novos ritmos
e investimentos. Hoje vem alcançando a sociedade através das músicas sertaneja,
arrocha e funk. Este nosso ciclo tem trazido músicas compostas de letras
baseadas em traições, sofrimentos, infidelidade, ostentações, protofonias e
utilizando a figura feminina como símbolo sexual e objeto de prazer, além das
letras que transmite aos ouvintes ofensas, agressões e gestos pornográficos
desvalorizando a mulher brasileira.
A proporção que a MPB não evolui da
raiz existencial, nos faz pensar: são estas, as músicas que tenho para escutar,
são estas palavras desrespeitosas que tenho para ouvir? As mulheres
trabalhadoras, donas de casa, alicerce de sua família, que lutaram e lutam pela
igualdade, liberdade e contra o preconceito, são estes, o retorno de suas conquistas
e batalhas que devemos escutar nas rádios, internets, televisões e celulares?
Contudo apresentado, é vergonhoso o
comparativo da censura sob as músicas que tanto agregavam a sociedade e a
evolução cultural artística de antigamente, diante da liberdade de expressão
vista nos últimos tempos, onde não há repúdio e nem legitimidade para a
retirada destas canções que constrangem o povo, a conduta, a moral, a ética, as
lutas, a história e a cultura brasileira, nordestina e da Bahia.
O samba, o baião, o forró, o pagode
alegre saudável, a MPB, fazem parte de uma história, de vários marcos sociais,
de períodos da evolução do Brasil. E por isso, devem ser mantidas por gerações,
respeitadas e engrandecidas, e não esquecidas ou substituídas por novos rits populares
que desmerecem o povo e sua culturalidade por difamações e negligências verbas
e dançantes. A cultura brasileira por vez, precisa ser continuada a rigor da
sua evolução histórica e enriquecida de conhecimentos. É importante lembrar que
ao exterminar a MPB, estarão extinguindo a história de um povo e a cultura de
um país chamado Brasil.
Quem domina a música brasileira hoje são o axé, funk, brega,
pagode e forró universitário.Temos agora um novo estilo de musica, o
"sertanejo universitário", seja lá o que isso signifique. Hoje, você
não precisa mais ser artista para entrar no ramo de música; basta saber dançar,
ter um corpo em forma e saber ler e escrever um pouco. Qualquer imbecil pode
fazer sucesso na atual música brasileira. Músicas ridículas como "Rebolation",
"Créu", são um pequeno exemplo do patético momento em que passa à música
brasileira. Isso porque os ritmos que estão dominando o país são voltados para
a dança, e consequentemente as letras ficam em segundo plano. Não que dançar
seja ruim, mas não precisam colocar letras tão baixas, não é?
São letras tão ridículas que as vezes fico
surpreso como essas coisas que as pessoas chamam de "música", podem
fazer sucesso. Naturalmente, como não é preciso ser muito talentoso para fazer
sucesso no atual momento da nossa música, o nível dos "artistas"(eles
não são artistas, mas vou chama-los assim para mostrar um mínimo de respeito cai
drasticamente. São raros os grandes cantores.
Para não dizer que nenhum presta, o axé baiano revelou Ivete
Sangalo, que se não é compositora (competente), é uma bela cantora. Em termos
de compositores, prefiro não falar muito para não ficar triste: basta ouvir as
letras das músicas que estão fazendo sucesso ultimamente. Lixo. Mas porque
estamos assim? Como chegamos nessa lama? Bom,
a partir do momento em que os mercados da música, literatura e cinema ficaram
multimilionários, os produtos precisaram ser vistos de duas maneiras: a
comercial e a artística. Muitos cantores e bandas vendem seus produtos bem
rápido, ou seja, são bons do ponto de vista comercial; todavia do ponto de
vista artístico são um lixo. Veja o "rebolation" por exemplo. A música
fez sucesso tão rápido e sumiu tão rápido. Ela nunca será lembrada daqui a dez
anos. E porquê? Porque é um produto descartável.
Por
outro lado, existem produtos que são bons do ponto de vista artístico, mas não
ficam populares. Quantas músicas,
filmes e livros bons você já viu que não fizeram muito sucesso? Vários, não é? E tem também aqueles mais incomuns, que são bons
tanto artisticamente quanto comercialmente, como a Legião Urbana por exemplo. Infelizmente, o mercado de música
brasileira está repleto de produtos que são bons do ponto de vista comercial,
mas são patéticos do ponto de vista artístico.
E enquanto ficarmos assim, não teremos grandes compositores, grandes
cantores dando as caras por aí. Somente palhaços e palhaças com suas músicas
vergonhosas. Esperamos que o rock, reggae, mpb e outros estilos que favorecem
mais a inteligência e a poesia, voltem a brilhar no nosso país. Chega dessas músicas
de nível baixo, feita para pessoas com pouca coisa na cabeça. Chega de músicas
patéticas.
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