Capítulo 18 –
A VINGANÇA
Dessa vez
estávamos um pouco mais calmos, já que a estreia nos deu um dia de experiência,
sem contar o show em praça pública, porém, todo cuidado é pouco. Conforme a
chamada, os participantes partiam esperando fazer o melhor e, além do público,
os jurados eram as suas maiores preocupações. Nós já havíamos conquistado o
público, o que nos deu uma responsabilidade maior na apresentação, pois
precisávamos ratificar o que já havíamos feito até então. Agora a nossa maior
preocupação era conquistar o corpo de jurados e conseguir passar para a fase
final no dia seguinte, no domingo. O ritual seria o mesmo do dia anterior. Eu
passaria pela cortina na frente dos demais e subiria a rampa até o palco do
cantor, me posicionando à espera da contagem, enquanto os outros, no palco de
trás, tomariam seus respectivos lugares.
Quando
finalmente fomos anunciados, seguimos o ritual, afinal tínhamos apenas trinta
segundos para começar. Olhei para trás afim de conferir se já podíamos dar
início, mas, fui surpreendido pelo desespero do contrabaixista, querendo o som
do instrumento e ele não saia de jeito nenhum. A caixa estava ligada. O
instrumento plugado. E nada. A rapaziada da banda do festival não ajudava em
nada. Os trinta segundos estavam indo para o espaço, então me dirigi ao
presidente da mesa e fiz as minhas ponderações. Ele gesticulava para que
começássemos. Apontava para o relógio e não me entendia, se entendia, não
demonstrava interesse. Até que estourado o tempo, em muito e, atendendo as minhas
súplicas para que fosse ver de perto o que estava ocorrendo, se levantou e foi
ao fundo do palco. Com a chegada do presidente, a rapaziada se movimentou e não demorou muito o som surgiu, mas o estrago já estava feito. Se lembra daquela
história do contrabaixista não ter emprestado o instrumento para a banda, pois
foi a maneira que eles arrumaram de dar o troco. O homem voltou para o seu
lugar, mas, não sabíamos se estávamos disputando ou desclassificado. O
guitarrista foi começar a introdução e, aí vimos que não era só o som do
contrabaixo, a guitarra estava desafinada. Quando ele começou, os meus ouvidos
acusaram na lata. O desespero dele tentando afinar na marra e ao mesmo tempo
tocando a introdução, para nós que já conhecíamos a melodia, era um sofrimento.
Vendo que daquele jeito não havia tom para começar a cantar, o contrabaixista
entrou, pelo menos o instrumento dele estava afinado, para manter o tom.
Abreviamos um pouco e, eu comecei a cantar. Com o decorrer da música, a
guitarra foi se ajustando, quero dizer afinando e, assim conseguimos fazer a
apresentação até o fim. Saímos do palco arrasados. Na verdade, “putos”. Os
caras conseguiram tirar a nossa última chance. As meninas, vieram consolar-nos,
mas estava difícil de assimilar o golpe. Cada um sentia que o festival naquele
momento havia acabado para nós. Tentamos descobrir se o júri havia considerado
a apresentação ou se por ordem do presidente fora decretada a desclassificação,
mas a interrogação persistia, nem as meninas tiveram sucesso, tudo ficaria para
a hora em que o apresentador viesse com a lista dos classificados para domingo;
então, saímos da sala e fomos beber uma cerveja para desanuviar, menos o
batera, ele estava ficando com três garotas ao mesmo tempo, posicionadas
estrategicamente em ambientes diferentes, então tratou de circular para
aproveitar um pouco de cada. Mesmo com a cabeça fervendo de raiva, tudo ficou
diferente, quando fomos abordados por dois sujeitos que se diziam olheiros de
um produtor da gravadora CBS do Rio de janeiro e, queriam saber se nós tínhamos
alguma fita demo, que pudesse passar a eles para ser levada ao produtor. Não tínhamos,
mas como éramos do Rio e eu, como conhecia alguns produtores da tal gravadora,
perguntei quem era e, ao saber o nome, me veio a memória o semblante, daí,
pedimos os nomes dos dois, anotamos e, agradecendo deixamos bem claro que nós
mesmo iríamos procura-lo assim que voltássemos para casa. Esse pequeno
acontecimento, afastou momentaneamente a tristeza resultada dos eventos
recentes.
O segundo dia
do festival chegou ao seu final e a lista com os nomes dos que voltariam a se
apresentar na final no domingo já estava na mão do apresentador. Apesar de ser
uma tênue esperança, de ser mínimas as nossas chances, nos mantivemos firmes,
acreditando até o final, mas a realidade foi dura. Quando o último nome foi
pronunciado e não era o nosso, o festival acabava ali para nós. Mas, a
vida é uma caixinha de surpresas! Uma das meninas veio até nós, pedindo que
fossemos até a presença do organizador e do prefeito para um comunicado. Nos
apressamos e logo ... pode deixar vocês vão saber.
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