Capítulo 58 – VERDADES E VERDADES
"É que músico é vagabundo...
Tão vagabundo que enquanto você sai
ele tá ensaiando ou "divertindo" a noite do seu público.
Tão vagabundo que passa mais de 10 anos estudando e pode estudar por mais 50 que não vai saber de tudo.
Tão vagabundo que tem que, além de ser músico, ser administrador, economista, web designer, empresário, roadie, técnico de som e mágico (pra fazer o cachê durar e pagar tudo que tem que ser pago - como uma pessoa normal).
Músico é tão vagabundo que sequer merece um aumento de cachê junto com a inflação.
Músico é tão vagabundo que muitas vezes não briga pelo Couvert que não ganhou pra não perder o contato (mesmo sabendo que é direito dele. A gente precisa pagar nossas contas, de uma forma ou de outra).
Músico é tão vagabundo que escolhe o que faz pelo infinito amor, não pelo retorno. Porque, se fosse pelo retorno, escolheria outra coisa.
São tão vagabundos, mas tão vagabundos, que pagam uma fortuna em estudos, instrumentos e equipamentos pra ouvir de alguém que "trezentos tá caro".
Escolhem, por muitas vezes, sustentar sua casa tocando por quantidade, porque é a única forma de conseguir pagar as contas, sustentar uma família. Mesmo que saibam da qualidade de seu trabalho e saibam o tanto de tempo que dedicaram pro seu trabalho ficar como ficou.
Tão vagabundo que passa mais de 10 anos estudando e pode estudar por mais 50 que não vai saber de tudo.
Tão vagabundo que tem que, além de ser músico, ser administrador, economista, web designer, empresário, roadie, técnico de som e mágico (pra fazer o cachê durar e pagar tudo que tem que ser pago - como uma pessoa normal).
Músico é tão vagabundo que sequer merece um aumento de cachê junto com a inflação.
Músico é tão vagabundo que muitas vezes não briga pelo Couvert que não ganhou pra não perder o contato (mesmo sabendo que é direito dele. A gente precisa pagar nossas contas, de uma forma ou de outra).
Músico é tão vagabundo que escolhe o que faz pelo infinito amor, não pelo retorno. Porque, se fosse pelo retorno, escolheria outra coisa.
São tão vagabundos, mas tão vagabundos, que pagam uma fortuna em estudos, instrumentos e equipamentos pra ouvir de alguém que "trezentos tá caro".
Escolhem, por muitas vezes, sustentar sua casa tocando por quantidade, porque é a única forma de conseguir pagar as contas, sustentar uma família. Mesmo que saibam da qualidade de seu trabalho e saibam o tanto de tempo que dedicaram pro seu trabalho ficar como ficou.
Os vagabundos a quem me refiro acima
te trazem alegria, mudam seu padrão energético, mexem com tuas emoções. Eles
doam de sua própria energia e amor em prol de algo intocável. Eles têm brilho
nos olhos quando ouvem que modificaram a vida de alguém por algum motivo. Tá
bom que trabalhar com algo tão sublime é motivo de procurar em uns os defeitos
(tem que ter defeitos!), e nosso grande defeito é a nossa desvalorização:
muitas vezes feita por nós mesmos."
Dentro dessa seara, posso confirmar
com propriedade, pois durante a minha caminhada passei por vários desrespeitos
para com essa profissão, apesar de não a ter como principal fonte de renda e,
talvez por covardia ou por ter me casado cedo não enfrentei esse desafio como
muitos o fazem. Não me arrependo, mas sinto que se as circunstâncias fossem
outras talvez... de qualquer maneira eu só não me tornei profissional no
sentido literal, mas o gosto, o amor, a fissura pela música sempre esteve
presente na minha vida. Me tornei mais recluso, mas quando saio do meu casulo
para alguma apresentação, gosto sempre de dialogar com os jovens independentes,
excluídos da mídia, que trabalham em cima de novas experiências, em sua maioria
com resultados bons, mas que o grande público nunca terá conhecimento. Esse mundo
paralelo, que existe ao lado do mundo consumista, proveniente do maciço marketing
exercido pelos condutores de massa, não vai acabar, pelo contrário, está
existindo ressonância, apesar de lenta, porém guerreira, a boa música vem
acompanhado de bons músicos. Eu tenho consciência de que o número é desigual,
comparado com alcance das mídias descartáveis, entretanto, sou otimista pelo
fato de mesmo sendo um percentual ainda pequeno, contudo existente, o que já me
deixa esperançoso, pois a batalha tem sido árdua, mas ainda não perdemos a
guerra. Essa música rasteira que impregna o ar não pode se torna única. Convoco
os heróis das resistências, para que não arredemos um palmo. Continuemos nosso
trabalho de criação mantendo o nível musical e poético sempre em prol da arte.
Recados para uma avó que vai ficar com os netos alguns dias em agosto
• A Matilde não come arroz. Diz que
fica enjoada. Ainda não percebemos bem de onde vem isso, pensávamos que fosse
do glúten, mas ela só come arroz sem glúten. Aliás, ela não come glúten. A
nutricionista naturopata recomendou. Também não come ovos de aviário.
Deixei um
saco com comida para os miúdos. Arroz sem glúten, massa sem glúten, bolachas
sem açúcar, alfarroba desidratada e biscoitos de aveia e quinoa dos Andes.
• Não lhes dê bolos de pastelaria. Nem sumos de pacote. Nem leite de vaca. Nem chocolates. Nem leite com chocolate.
• Eles não comem nada que tenha açúcar refinado. Eu sei que a mãe faz um bolo de cenoura ótimo, mas se fizer use apenas açúcar amarelo. Mas só metade da dose. E cenoura biológica.
• Deixei também açúcar amarelo. É especial, extraído de cana-de-açúcar explorada de forma sustentável.
• Se eles insistirem muito para comer doces, dê-lhes uma peça de fruta biológica. Ou um abraço.
• O Pedro pode brincar com o iPad dele antes de ir para a cama. Mas não nos últimos 34 minutos antes de apagar a luz. É o que dizem os estudos mais recentes.
• Se ele ensaiar uma fita por causa disso, não o contrarie de mais. Não lhe tire o iPad das mãos à força. Dialogue com ele. Convença-o. Queremos que os miúdos tenham capacidade de argumentação e não queremos contrariá-los de mais, para não serem castrados na construção da sua personalidade. No fim, dê-lhe um abraço.
• O iPad é a única coisa eletrônica que o Pedro tem. O psicólogo dele dizia que não devia haver tecnologia nenhuma até aos 12 anos. Mudámos de psicólogo e o outro diz que pode haver, desde que tenha jogos que estimulem a parte do cérebro onde se constroem as emoções. Como ficámos baralhados, arranjámos um terceiro psicólogo, que disse para fazermos o que quisermos.
• Eles têm uma série de brinquedos de madeira e metal, feitos por artesãos velhinhos. Às vezes queixam-se que as rodas de lata não andam. Se for o caso, ajude-os a brincar com outra coisa qualquer, desde que não tenha plástico. Não queremos brinquedos de plástico.
• Se forem à feira e eles quiserem comprar bugigangas nos vendedores, compre-lhes uma rifa. Ou uma maçã. Ou dê-lhes um abraço.
• Todos os brinquedos devem ser partilhados. Não há brinquedo de menina e brinquedo de menino. Se o João quiser brincar com as bonecas de linho biológico da irmã, não há problema.
• Se ele quiser vestir as saias dela, também não há problema. Não queremos limitar a identidade de género dos nossos filhos.
• Há um saco com sabonete natural e champô à base de plantas medicinais sem aditivos químicos. Cheira um pouco mal, mas é ótimo para o cabelo.
• Mandei também umas toalhas de algodão biológico. Use só essas quando forem para a praia. São as melhores para o pH da pele deles.
• Todas as noites eles devem ouvir um pouco de música. Não pode ser o Despacito. O ideal é ser aquele CD de monges tibetanos. Aqueles sons são bons para o cérebro e para a digestão.
• Se eles quiserem subir às árvores, podem subir. Mas devem dar um abraço ao tronco antes disso. De preferência, devem agradecer à árvore antes de subirem para cima dela.
• Eles precisam de três abraços por dia. Pelo menos. Por favor não esqueça isso. E se puder, dê-lhes abraços de pele a tocar na pele. A energia positiva assim passa de forma mais eficaz.
PS 1: Mãe, não se enerve depois de ler isto tudo.
PS2: Cole este papel na porta do frigorífico, para não se esquecer de nada. Mas não use fita-cola, que isso tem plástico.
• Não lhes dê bolos de pastelaria. Nem sumos de pacote. Nem leite de vaca. Nem chocolates. Nem leite com chocolate.
• Eles não comem nada que tenha açúcar refinado. Eu sei que a mãe faz um bolo de cenoura ótimo, mas se fizer use apenas açúcar amarelo. Mas só metade da dose. E cenoura biológica.
• Deixei também açúcar amarelo. É especial, extraído de cana-de-açúcar explorada de forma sustentável.
• Se eles insistirem muito para comer doces, dê-lhes uma peça de fruta biológica. Ou um abraço.
• O Pedro pode brincar com o iPad dele antes de ir para a cama. Mas não nos últimos 34 minutos antes de apagar a luz. É o que dizem os estudos mais recentes.
• Se ele ensaiar uma fita por causa disso, não o contrarie de mais. Não lhe tire o iPad das mãos à força. Dialogue com ele. Convença-o. Queremos que os miúdos tenham capacidade de argumentação e não queremos contrariá-los de mais, para não serem castrados na construção da sua personalidade. No fim, dê-lhe um abraço.
• O iPad é a única coisa eletrônica que o Pedro tem. O psicólogo dele dizia que não devia haver tecnologia nenhuma até aos 12 anos. Mudámos de psicólogo e o outro diz que pode haver, desde que tenha jogos que estimulem a parte do cérebro onde se constroem as emoções. Como ficámos baralhados, arranjámos um terceiro psicólogo, que disse para fazermos o que quisermos.
• Eles têm uma série de brinquedos de madeira e metal, feitos por artesãos velhinhos. Às vezes queixam-se que as rodas de lata não andam. Se for o caso, ajude-os a brincar com outra coisa qualquer, desde que não tenha plástico. Não queremos brinquedos de plástico.
• Se forem à feira e eles quiserem comprar bugigangas nos vendedores, compre-lhes uma rifa. Ou uma maçã. Ou dê-lhes um abraço.
• Todos os brinquedos devem ser partilhados. Não há brinquedo de menina e brinquedo de menino. Se o João quiser brincar com as bonecas de linho biológico da irmã, não há problema.
• Se ele quiser vestir as saias dela, também não há problema. Não queremos limitar a identidade de género dos nossos filhos.
• Há um saco com sabonete natural e champô à base de plantas medicinais sem aditivos químicos. Cheira um pouco mal, mas é ótimo para o cabelo.
• Mandei também umas toalhas de algodão biológico. Use só essas quando forem para a praia. São as melhores para o pH da pele deles.
• Todas as noites eles devem ouvir um pouco de música. Não pode ser o Despacito. O ideal é ser aquele CD de monges tibetanos. Aqueles sons são bons para o cérebro e para a digestão.
• Se eles quiserem subir às árvores, podem subir. Mas devem dar um abraço ao tronco antes disso. De preferência, devem agradecer à árvore antes de subirem para cima dela.
• Eles precisam de três abraços por dia. Pelo menos. Por favor não esqueça isso. E se puder, dê-lhes abraços de pele a tocar na pele. A energia positiva assim passa de forma mais eficaz.
PS 1: Mãe, não se enerve depois de ler isto tudo.
PS2: Cole este papel na porta do frigorífico, para não se esquecer de nada. Mas não use fita-cola, que isso tem plástico.
Inté!
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