Capítulo 74 – O QUE TEMOS HOJE NA NOSSA MPB?
A música brasileira tem perdido, ao longo dos anos, um time incomparável
de artistas que fizeram nossa história. Quem nunca parou para cantar e lembrar
de momentos com Tim Maia, Renato Russo, Cazuza, Gonzaguinha, Elis Regina, Raul
Seixas, Belchior, Luís Melodia e tantos outros? Será que até hoje não nasceu
mais nenhum talento como eles? O que temos hoje na nossa música?
O que vemos são cantores solo ou bandas que cantam em inglês. Pasmem!
Pedem coisas novas, músicas com mensagens, de qualidade, brasileira. Se o
cantor gravar uma ou outra música em outra língua, nada de errado, mas não me
diga que quer novos talentos para a MPB que cantem em inglês. Não há mais, com
raras exceções, artistas de qualidade, não há mais um Cazuza, um verdadeiro
poeta da música. Hoje, o que vale é o que rende mais. Essa história de qualidade
é jogada de marketing de alguns para não morrer na praia.
Muitas de nossas rádios sobrevivem com músicas antigas. Por onde andam
nossos Osvaldos (Montenegro), Chicos, Nandos, Caetanos, Djavans, Gils e
Betânias? Quando teremos de volta nossos Cazuzas, Renatos, Chorãos (CBJr), Tims
e afins? Por que, no nosso Rock in Rio, praticamente só tem músicos do
Exterior, e quase nada do nosso pop e rock? Como sediamos um evento como esse e
não temos artistas para mostrar? Será que realmente não temos uns tantos escondidos
por aí, mas que não encontram a oportunidade? Falta um olhar, uma aposta,
naquilo que temos de mais lindo na música: a melodia da MPB, as letras que
encantam, a empatia do artista com o público, mas pela qualidade.
Parece brincadeira lançar artista. Vem a figura em um programa de
televisão, conta uma historinha, chora e arrebenta com uma verdadeira porcaria
de música e some. E assim segue. E o artista com música boa, com mensagens,
será que realmente não tem? Talvez esse seja difícil fazer sucesso num País
onde a vulgaridade é que está na boca desses jovens, que estão crescendo e
aprendendo como destratar uma mulher.
É, resta-nos a saudade de um tempo em que a Cultura era coisa séria.
Ouvíamos músicas junto com nossos filhos sem medo de influenciar. Hoje,
crianças cantam e dançam (com gestos obscenos, inclusive) com aprovação dos
adultos. Nas festas tocam essas músicas, não temos nada novo para mostrar,
estamos à mercê de um povo que não quer talento, quer rendimentos. Nós nos
contentamos com nossos CDs e vinis antigos, que ajudam a abafar um pouco a
falta de qualidade à qual somos obrigados a conviver, já que há alguns anos só
temos dois ritmos que dominam na música popular brasileira. Triste.
Falando desse jeito, parece, mas não o é, saudosismo, apenas trata-se de
uma constatação, de que a evolução ficou no caminho ou se quiser, à beira do
caminho, isso parafraseando um artista que divide opiniões, mas pelo ao menos
não é tão reles e cravou seu nome na história da nossa música. Eu,
particularmente, elegi alguns cantores, que no meu entender ultrapassam a linha
divisória que define cantor e intérprete e inabalavelmente junta as duas coisas
numa só. Se fossemos pegar desde lá de trás, teríamos que colocar artistas como
por exemplo: Carmem Miranda, Dava de Oliveira, Cauby Peixoto, Ângela Maria, só
para citar alguns, agora chegando mais para cá citaríamos: Elis Regina, Clara
Nunes, Elizete Cardoso, Nely Andrade, Zizi Possi, Emílio Santiago, Ney
Matogrosso, Cassia Eller, Maria Betânia, Gal Costa, Alcione e mais alguns
poucos para esta definição. Porém e, ainda assim, é uma boa seleção. Agora,
hoje, o que temos? Bem, eu gosto de alguns, mas não com a mesma intensidade,
como por exemplo: Lenini, Rick Vallen, Felipe Catho, Ed Motta(?) e paro por
aqui, pois, teria que me aprofundar na web para talvez descobrir algo precioso,
com assinatura própria, transparente, autentico, algo que verdadeiramente me
chamasse a atenção. Vou procurar, se eu achar, vos falo no próximo capítulo.
Inté!
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