sábado, 27 de janeiro de 2018

Capítulo 74 – O QUE TEMOS HOJE NA NOSSA MPB?
A música brasileira tem perdido, ao longo dos anos, um time incomparável de artistas que fizeram nossa história. Quem nunca parou para cantar e lembrar de momentos com Tim Maia, Renato Russo, Cazuza, Gonzaguinha, Elis Regina, Raul Seixas, Belchior, Luís Melodia e tantos outros? Será que até hoje não nasceu mais nenhum talento como eles? O que temos hoje na nossa música?
O que vemos são cantores solo ou bandas que cantam em inglês. Pasmem! Pedem coisas novas, músicas com mensagens, de qualidade, brasileira. Se o cantor gravar uma ou outra música em outra língua, nada de errado, mas não me diga que quer novos talentos para a MPB que cantem em inglês. Não há mais, com raras exceções, artistas de qualidade, não há mais um Cazuza, um verdadeiro poeta da música. Hoje, o que vale é o que rende mais. Essa história de qualidade é jogada de marketing de alguns para não morrer na praia.
Muitas de nossas rádios sobrevivem com músicas antigas. Por onde andam nossos Osvaldos (Montenegro), Chicos, Nandos, Caetanos, Djavans, Gils e Betânias? Quando teremos de volta nossos Cazuzas, Renatos, Chorãos (CBJr), Tims e afins? Por que, no nosso Rock in Rio, praticamente só tem músicos do Exterior, e quase nada do nosso pop e rock? Como sediamos um evento como esse e não temos artistas para mostrar? Será que realmente não temos uns tantos escondidos por aí, mas que não encontram a oportunidade? Falta um olhar, uma aposta, naquilo que temos de mais lindo na música: a melodia da MPB, as letras que encantam, a empatia do artista com o público, mas pela qualidade.
Parece brincadeira lançar artista. Vem a figura em um programa de televisão, conta uma historinha, chora e arrebenta com uma verdadeira porcaria de música e some. E assim segue. E o artista com música boa, com mensagens, será que realmente não tem? Talvez esse seja difícil fazer sucesso num País onde a vulgaridade é que está na boca desses jovens, que estão crescendo e aprendendo como destratar uma mulher. 
É, resta-nos a saudade de um tempo em que a Cultura era coisa séria. Ouvíamos músicas junto com nossos filhos sem medo de influenciar. Hoje, crianças cantam e dançam (com gestos obscenos, inclusive) com aprovação dos adultos. Nas festas tocam essas músicas, não temos nada novo para mostrar, estamos à mercê de um povo que não quer talento, quer rendimentos. Nós nos contentamos com nossos CDs e vinis antigos, que ajudam a abafar um pouco a falta de qualidade à qual somos obrigados a conviver, já que há alguns anos só temos dois ritmos que dominam na música popular brasileira. Triste. 

Falando desse jeito, parece, mas não o é, saudosismo, apenas trata-se de uma constatação, de que a evolução ficou no caminho ou se quiser, à beira do caminho, isso parafraseando um artista que divide opiniões, mas pelo ao menos não é tão reles e cravou seu nome na história da nossa música. Eu, particularmente, elegi alguns cantores, que no meu entender ultrapassam a linha divisória que define cantor e intérprete e inabalavelmente junta as duas coisas numa só. Se fossemos pegar desde lá de trás, teríamos que colocar artistas como por exemplo: Carmem Miranda, Dava de Oliveira, Cauby Peixoto, Ângela Maria, só para citar alguns, agora chegando mais para cá citaríamos: Elis Regina, Clara Nunes, Elizete Cardoso, Nely Andrade, Zizi Possi, Emílio Santiago, Ney Matogrosso, Cassia Eller, Maria Betânia, Gal Costa, Alcione e mais alguns poucos para esta definição. Porém e, ainda assim, é uma boa seleção. Agora, hoje, o que temos? Bem, eu gosto de alguns, mas não com a mesma intensidade, como por exemplo: Lenini, Rick Vallen, Felipe Catho, Ed Motta(?) e paro por aqui, pois, teria que me aprofundar na web para talvez descobrir algo precioso, com assinatura própria, transparente, autentico, algo que verdadeiramente me chamasse a atenção. Vou procurar, se eu achar, vos falo no próximo capítulo. Inté!

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