quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Capítulo 13 – PRIMEIRA CANÇAO NA ESTRADA

A notícia chegou, baixou e saravou. Incrédulos, paralisados, estarrecidos, boquiabertos, essas foram algumas das nossas reações, após tal pronunciamento feito pelo guitarra base. Refeitos da surpresa, queríamos explicações. Todos em cima, feito urubu na carniça, ávidos por informações e, ele, saboreando o momento, fazendo doce, isso lá era hora de sacanear! Depois de quase levar uma surra, falou: Nós havíamos feito algumas incursões por estúdios, que o irmão do baixista, que gostava muito do nosso som, havia arrumado e, nesses foram feitas algumas gravações, que depois copiadas em cassete, passaram para as nossas mãos e, levadas para curtir com os amigos. Ele, foi mais além, sabedor de um festival em Úba, aonde tinha parentes e sempre viaja para lá, resolveu as escondidas mandar uma fita cassete com duas das nossas músicas, eram elas: “MOTIVOS” E “VAI TUDO BEM”. Fez as escondidas para não criar nenhuma expectativa e quiçá decepção. Assim foi. Só que a resposta, foi maravilhosa e estávamos classificados com as duas. Uma seria apresentada numa sexta-feira e a outra no sábado e, caso classificássemos, voltaríamos ao palco na final no domingo. Estávamos no final do mês e o festival seria após a primeira quinzena do mês seguinte. Quando a nossa curiosidade e perplexidade foi totalmente preenchida e dissipada e, passada toda euforia, nos damos conta que nunca tínhamos saído da nossa zona de conforto e que além disso teríamos que ter recursos para bancar a viagem, hospedagem e alimentação. Indagamos o amigo, de quanto mais ou menos teríamos que dispor para tal empreitada. Ele assim que soube, já havia adiantado algumas coisas com uma ex e amigas que estavam na organização do evento, como por exemplo: na nossa chegada, que teria que ser na quinta-feira à noite, teríamos um comitê de recepção na rodoviária para nos levar até um lugar para ficarmos até amanhecer. Depois seríamos levados até o hotel, já com as reservas feitas, onde nos hospedaríamos, claro tudo dentro de um orçamento super apertado. Ali tomaríamos banho, trocaríamos de roupa, procuraríamos uma pensão para comer, pois à tarde já teríamos o compromisso de passar o som no ginásio, onde aconteceria a primeira noite de apresentações. Depois, era mais ou menos seguir este mesmo roteiro até domingo. Na teoria tudo é tão simples e fácil de resolver, agora na prática... a maior dificuldade começava em arrumar o arame, o capim, a bufunfa, faz-me rir, din din, capilé, fora o guitarra base que tinha parentes na cidade e sua despesa seria só a passagem, e aí vocês vão se perguntar: não dava para ficar na casa dos parentes do guitarra base? Já havíamos levantado essa possibilidade e ele explicou que a casa era pequena e que seu tio não concordou quando sondou a viabilidade. Então além dele, sabíamos que o baterista, que não trabalhava, não teria grandes problemas pois os pais bancariam, nós os três pobres mortais durango kid é que teríamos pela frente a árdua tarefa de cavar em terreno árido. Combinamos de que teríamos de arrumar o máximo possível e fatalmente economizar o máximo. Uma coisa era certa: além da passagem de ida, teríamos que comprar a de volta logo que chegássemos, assim a grana restante seria para as despesas no local e o nosso retorno já estaria garantido para o final da noite de domingo ou início da madrugada de segunda-feira. Deu-se início, pelo menos para nós três, uma verdadeira corrida ao ouro, literalmente. Cada um, dentro das suas possibilidades e até fora mesmo, pois para se seguir um sonho e vê-lo realizado é necessário esforço e põe esforço nisso. Eu, como já falei em relatos passados, tinha um trabalho com horário flexível, mas para poder realizar essa oportunidade, dobrei, tripliquei a jornada, afim de colher resultados financeiros acima do normal, mesmo assim fui obrigado a recorrer, poucos dias antes da viagem, a um empréstimo na empresa, para garantir que não houvesse imprevistos. Bem, finalmente chegou o dia do embarque. Além de roupas, nos foi recomendado que levássemos bastante agasalhos, levaríamos o meu Del Vecchio e o baixista fez questão de levar seu contrabaixo novo. O festival era grandioso, um grande  acontecimento todo ano na cidade, portanto teríamos toda uma estrutura bem montada a nossa disposição. Estávamos ansiosos, não só pela possibilidade de tocar em outra cidade, mas também pela viagem, pois nunca tínhamos saído do nosso quintal. Era para nós uma grande aventura, um grande desafio. Apesar de sermos jovens, talvez essa fosse a nossa grande virtude, e talvez por isso aceitamos de cara sem medirmos consequências. Então, saímos em busca, no primeiro momento de nada em especial, mas no intimo, de novas experiências; de poder pular o muro e correr na rua; de abraçar novas possibilidades, enfim, de cair na estrada e definitivamente poder mostrar o nosso trabalho musical e saber se o que produzíamos teríamos feedback positivo por parte do público. Partimos!                    
      

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